O Melhor de Hagar o Horrível # 2

Por Marcelo Naranjo
Data: 22 março, 2013

O Melhor de Hagar o Horrível # 2Editora: L&PM – Edição especial

Autor: Dik Browne (roteiro e arte).

Preço: variável, conforme a oferta em sebos

Número de páginas: 72

Data de lançamento: 1987

Sinopse

Álbum em formato grande com seleção de tiras de Hagar criadas por Dik Browne (1917 – 1989) e publicadas entre as décadas de 1970 e 1980.

Positivo/Negativo

Uma ode à vida – ao menos, a masculina, ou, mais especificamente, a de casado, com seus dissabores e alguns prazeres, os quais, para um viking, podem ser uma overdose.

Dessa forma, Hagar gosta de beber com os amigos, e muito. Também gosta de comer, e bastante. Nessa rotina superlativa, fugir da esposa é uma constante. O resultado, além de algumas sovas conjugais, é a garantia do riso do leitor.

Antes que, acertadamente, alguma ativista feminina erga as sobrancelhas, é adequado contextualizar. As tirinhas de Hagar neste álbum foram criadas, em sua maioria, na década de 1970. Ou seja, época em que já se contestava muita coisa, mas o lugar da mulher ainda era primordialmente em casa, cuidando da cozinha e dos filhos, quando não, do marido.

E cuidar de Hagar não é fácil. Com todo o seu tamanho, ainda age como uma criança e leva o ursinho de pelúcia para as batalhas. Gosta de brincar, brigar e também de trabalhar, ainda que, na sua profissão de viking, o melhor termo seja “pilhar”. Nas folgas, pode ser encontrado numa mesa de bar, para eterno desgosto da esposa.

O Melhor de Hagar o Horrível # 2

Sua companhia quase constante é o atrapalhado, desastrado e azarado Eddie Sortudo, contraponto para ótimas piadas, afinal, duplas de comediantes são, desde sempre, receita certa de sucesso.

O álbum perpassa as principais características desse carismático personagem, acompanhado de textos escritos por Mort Walker (criador do Recruta Zero). Então, o leitor confere tiras do Hagar que nunca crescerá, seguidas por sua paixão por comida, por bebida, suas mentiras (quando ele mente, os chifres do capacete caem), as encrencas nas quais se mete, seu “mundo viking”, as viagens, seu barco, e ainda outros personagens e seres míticos como dragões e sereias. Sobre essas últimas, Walker explica, “Hagar gosta de flertar com sereias, mas é apenas um lapso momentâneo de boa conduta. Ele pode ver, mas não pode tocar”.

Em relação às famosas bebedeiras, que rendem as melhores piadas desta seleção (não é à toa a capa deste volume), Mort Walker comenta: “Uma tira sobre um viking não seria completa se não tivesse uma saudável quantidade de bebida. Este problema, de certa forma embaraçoso, é ainda tratado como muita delicadeza. Hagar nunca tem permissão para beber e dirigir e é sempre mostrado num estado que jamais encorajaria ninguém a se submeter ao mesmo tratamento. Ele acaba invariavelmente parecendo um lixo debaixo da mesa da taverna ou embolado sem cerimônia num carrinho de mão. Hagar não justifica a bebida, apenas a experiência”.

Experiência hilária, como, por exemplo, quando Hagar, em close, afirma que descobriu o segredo do mistério da vida, que pode ser resumido numa curta frase, diz ele. No quadro seguinte, o leitor vê o bárbaro num bar, debaixo da mesa, completamente bêbedo e balbuciando algo como “Eu ach ch popo niz ka bubublika“, enquanto o garçom avisa que é hora de fechar. É por essas e outras que se tornou rapidamente um clássico dos quadrinhos.

Um pequeno interlúdio: é bom ficar claro que o autor não fazia ode à bebida ou algo do tipo. Era apenas sua visão arguta brincando com fatos que estavam presentes no seu dia a dia.

O Melhor de Hagar o Horrível # 2

Voltando ao que interessa, não há formula garantida para o sucesso, mas, no caso de Hagar, a universalidade das situações e a paixão pelas coisas simples da vida são fatores que contribuíram muito para isso. Por exemplo, qual marido não vai se identificar com as divertidas cenas domésticas que Hagar protagoniza com sua esposa Helga? Isso tudo somado ao traço tremendamente expressivo de Browne, que faz rir das situações, por vezes, independentemente do texto, bastando o contexto. Coisa de mestre.

Vale ainda citar o prefácio do álbum, escrito por Mort Walker, que explica que são numerosas as semelhanças entre Dik Browne e sua criação, Hagar, nas atitudes, maneiras, apetite e demais características – os autores foram grandes amigos.

Atualmente, ainda que as tiras de Hagar mantenham a qualidade nas mãos do filho Chris Browne, é interessante observar que o politicamente incorreto foi deixado de lado. Assim, os porres homéricos acabaram e mulheres deixaram de ser “saqueadas” e levadas embora nas pilhagens em castelos.

Mas tudo ficou registrado para sempre na memória dos leitores da época e na obrigatoriedade dos bons colecionadores de quadrinhos de encontrar e adquirir esta edição – mais uma parte fundamental na abrangente e divertida história das histórias em quadrinhos.

Classificação

5,0

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