O TERCEIRO TESTAMENTO – VOLUME 1 – MARC OU O ACORDAR DO LEÃO

Por Sidney Gusman
Data: 1 dezembro, 2008


Autores: Xavier Dorison (roteiro) e Alex Alice (desenhos).

Preço: R$ 19,80

Número de páginas: 48

Data de lançamento: Julho de 2008

Sinopse: Na Europa da Idade Média, no ano de 1307, o poder da Igreja
Católica era soberano. No entanto, uma descoberta de um antigo pergaminho
nos subterrâneos de um convento pode mudar muita coisa. Mas há segredos
que não devem ser revelados.

É isso que o arcebispo de Paris descobre… de maneira trágica e fatal.
Agora, em meio a muito mistério e intrigas, o Conde de Marbourg, um ex-inquisidor,
volta à cena (para todos, ele estava morto) para desvendar esse enigma,
vingar o velho amigo e tentar impedir que a morte chegue também para Elisabeth
D’Elsenor, filha adotiva do arcebispo.

Positivo/Negativo: O
Terceiro Testamento
marca a estréia
da Multi Editores no mercado de quadrinhos. E o começo é bastante
promissor.

Iniciar neste mercado com uma HQ européia distribuída somente em gibiterias
e algumas bancas e livrarias foi uma estratégia arriscada, já que títulos
do Velho Continente, mesmo quando de comprovada qualidade, não costumam
atrair tantos leitores no Brasil.

Para isso, a Multi Editores apostou num trunfo valioso: o preço,
sem dúvida, baixo (e atrativo) para o padrão gráfico da edição, que tem
capa dura, formato 24 x 32 cm e papel couché.

Ainda é cedo para saber se a estratégia funcionou, pois novos títulos
ainda não foram publicados. De todo modo, para quem gosta de bons quadrinhos,
vale torcer pelo sucesso da empreitada, pois o material que a Multi
anunciou é muito interessante.

A começar por O Terceiro Testamento, que tem quatro tomos. O roteiro,
apesar de ser calcado num tema já explorado em outros quadrinhos europeus
(como O Escorpião, por exemplo), é muito bem amarrado.

O francês Xavier Dorison destrincha bem o cenário da obra durante a apresentação
dos personagens principais e trata de espalhar ganchos que devem ser mais
explorados no decorrer da série. E a seqüência de perseguições, mistérios
e mortes deixa o leitor ansioso pelo que virá a seguir. Ou seja, o autor
cumpre sua missão.

Os desenhos de seu compatriota Alex Alice complementam com categoria este
primeiro volume – sua narrativa é bastante eficiente. O artista tem um
traço bonito, que segue uma linha mais acadêmica – ele não é o primeiro
europeu a fazer um protagonista à feição do ator Sean Connery, pois Enrico
Marini fez o mesmo em A Estrela do Deserto, publicada em Portugal
pela Asa.

No entanto, o destaque na arte de Alice vai para a diagramação das páginas,
que foge um pouco aos padrões dos álbuns europeus. Ele não se limita a
divisões de quadros “certinhas” e chega até a usar páginas duplas – algo
não tão comum no Velho Continente. O resultado é belíssimo, inclusive
pelo bom uso das cores.

Editorialmente, o trabalho da Multi foi competente, mas passaram
três pequenas mancadas de revisão: o pleonasmo “há 20 anos atrás”, na
página 14; um “principio” sem acento (seria princípio), na 36; e um “a
pesquisas”, na 46. Nada, no entanto, que diminua a boa estréia da editora
neste mercado.

Classificação:

4,0

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