O turno da noite – Escuridão eterna

Por Marcus Vinicius de Medeiros
Data: 24 outubro, 2014

O turno da noite – Escuridão eternaEditora: Novo Século – Edição especial

Autores: André Vianco (argumento), Denilson Santtos (arte) e Deivs Mello (adaptação).

Preço: R$ 39,90

Número de páginas: 128

Data de lançamento: 2012

Sinopse

Quatro jovens vampiros são recrutados pelo veterano Ignácio para a organização Jugular, com a missão de levar justiça aos criminosos e corruptos pelo Brasil, atuando como o Turno da Noite.

Mas eles terão pela frente a oposição de tropas especiais do exército, caçadores de vampiros e uma tarefa envolvendo a bruxa poderosa, cujos resultados serão devastadores.

Positivo/Negativo

Antes de explodir no cenário da literatura fantástica brasileira, o escritor André Vianco pretendia explorar sua saga de vampiros em histórias em quadrinhos. Mas a vida seguiu outro rumo, e foi nos romances que ele dimensionou narrativas carregadas de emoção, centradas em fenômenos sobrenaturais bem temperados.

Só que Vianco nunca esqueceu o objetivo inicial. Assim, a trama de Os Sete e Sétimo ganhou uma expansão em arte sequencial, com Os vampiros do Rio D’Ouro e, posteriormente, a trilogia derivada O turno da noite também foi vertida para os quadrinhos.

Em edição caprichada da Novo Século, com argumento do próprio Vianco, adaptação de Devis Mello e ilustrações de Denilson Santtos, O turno da noite – Escuridão eterna sintetiza o investimento do autor em narrativa gráfica, sem esquecer os elementos que o consagraram e garantiram uma legião de seguidores.

Todavia, esse cuidado editorial não esconde os problemas do livro, pois verter uma narrativa tão rica para um gibi mais direto pode acabar custando caro.

O ponto forte da obra de Vianco sempre foi o tom coloquial de seu enredo, com diálogos naturais, personagens de fácil identificação e cenas de ação frenéticas. O horror ambientado em cidades brasileiras logo chamava a atenção, e o sangue jorrando tinha um diferencial.

O detalhe infeliz é que, nos quadrinhos de O turno da noite – Escuridão eterna, o poder criativo encontra-se diluído num festival de personagens e situações que não encontram sua voz.

O roteiro confuso tenta dar conta dos vampiros justiceiros, de anjos e bruxas, ação do exército, caçadores de vampiros e conspirações amaldiçoadas. E o resultado é a dificuldade de imersão para quem não está familiarizado com os romances.

Claro que sempre se perde algo ao adaptar literatura para quadrinhos, mas uma nova versão precisa se sustentar por si própria.

O livro O turno da noite tem uma história vigorosa, que ainda consegue levantar questões sobre vigilantismo em nossa sociedade, enquanto resgata elementos da história do Brasil. Na graphic novel, tais ideias estão presentes, mas sem a mesma força que mostram na trilogia literária.

Este ainda é o primeiro volume, mas perdeu-se a oportunidade de focar as ações dos justiceiros adolescentes comandados pela bela Patrícia, ou as reminiscências sedutoras de Calíope.

No fim das contas, a trama tenta envolver tanta coisa, que acaba se perdendo. A presença dos caçadores de vampiros Dimitri e Tobias, por exemplo, é sintomática. Eles surgem lá pelo final, sem uma contextualização que faça o leitor se importar.

Por outro lado, os fãs que devoram livros de André Vianco podem ficar satisfeitos com a experiência de leitura, já que há diálogos inéditos envolvendo o quarteto de protagonistas e revelações sobre suas vidas pregressas. O escritor cria todo um pano de fundo para seu universo, e essa qualidade não passa despercebida.

No campo visual, as ilustrações de Santtos fazem mais do que apenas cumprir o seu papel. Ele apresenta seres noturnos e armas mortíferas de forma eficiente. Tudo combinando com o clima sombrio e valorizando o texto original, como deve ser.

Novamente, vale ressaltar a edição da Novo Século: formato grande, papel especial, texto introdutório de Vianco expondo a jornada de suas criações, caderno de esboços do desenhista e uma caixa protetora.

Fica a expectativa de que o próximo volume mantenha esse esmero e, mais ainda, que o texto supere suas falhas. Potencial não falta.

Classificação

2,5

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