O vazio que nos completa

Por Gustavo Nogueira
Data: 24 dezembro, 2018

O vazio que nos completaEditora: Jupati Books (Marsupial) – Edição especial

Autores: Sérgio Chaves (roteiro) e Allan Ledo (desenhos).

Preço: R$ 56,00

Número de páginas: 112

Data de lançamento: Setembro de 2018

Sinopse

Douglas tem sua rotina modificada ao ser diagnosticado com esquizofrenia. Atormentado por alucinações, sua vida só ganha sentido quando conhece Letícia, por quem se apaixona.

Mas tudo muda quando Guilherme, seu melhor amigo, afirma que ela não passa de um fruto de sua imaginação, desencadeando novamente a dúvida sobre o que é real em sua vida.

Positivo/Negativo

O que é real? Esta pergunta é marcada em filosofias existencialistas, por meio dos textos de Jean-Paul Sartre, mas muito lembrada há tempos em filmes, como a trilogia Matrix. Este conflito passeia na cabeça do leitor por diversas vezes no drama de Sérgio Chaves e Allan Ledo.

Sim, os conflitos com a realidade já foram usados em obras de grande impacto e repetir com qualidade já é um desafio por si só. Nesta HQ, isso é colocado e simplificado a Douglas, seus problemas amorosos e sua família.

Sérgio Chaves é um nome conhecido no meio independente dos quadrinhos. O jovem roteirista é editor da Café Espacial, publicação que já atraiu até atenção internacional, ao ser indicada no Festival de Angoulême, na França. O vazio que nos completa é sua estreia em uma história longa.

O autor entrega uma trama, com toda a propriedade da palavra. A história é formada por fios emaranhados, nos quais o leitor se prende e tenta desenrolar, buscando chegar ao fim. Mas quando você acha que tudo está feito, aparece um novo nó à sua frente.

O drama, apesar de simples, é incrivelmente bem costurado por Chaves e consegue surpreender ao virar das páginas.

O maior problema no roteiro é a clara empolgação do autor, que busca transmitir uma filosofia, uma mensagem, mas trabalha pouco para criar essa visão. Acaba ficando algo solto e frágil, quando a trama pede algo grandioso.

A arte de Ledo é mais contida, mas profissional em detalhes pertinentes. Há uma “sujeira” constante em seus desenhos, demonstrando a confusão do personagem e o sentimento no leitor de que algo não está certo, não está completo.

A construção visual é bonita, mas não faz brilhar os olhos. O destaque é conseguir traduzir as figuras de linguagens do drama de Douglas com segurança e clareza, passando toda a emoção do protagonista.

A dupla criativa apresenta uma história intrigante e que dá vontade de ler mais. Porque, ao final, a dúvida que fica é: será que O vazio que nos completa é real ou não?

Classificação:

4,0

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