ORIXÁS – DO ORUM AO AYÊ

Por Sidney Gusman
Data: 1 dezembro, 2011

ORIXÁS - DO ORUM AO AYÊ

Editora: Marco Zero – Edição especial

Autores: Alex Mir (roteiro), Caio Majado (desenhos) e Omar Viñole (arte-final e cores).

Preço: R$ 19,90

Número de páginas: 80

Data de lançamento: Abril de 2011

 

Sinopse

O álbum narra a criação do mundo de acordo com as lendas africanas, mostrando informações partilhadas apenas por quem frequenta os lugares sagrados em que se cultuam os orixás.

Assim, o leitor fica sabendo que, nesta versão da criação do universo, deuses e humanos chegaram a partilhar o mesmo mundo, até que tudo mudou…

Positivo/Negativo

Muitos leitores não gostam de ler prefácios antes dos quadrinhos, propriamente ditos, com medo que as surpresas possam ser estragadas. No deste álbum, no entanto, isso é bastante recomendado. Isso porque o texto de Octavio Cariello, que poderia até ser uma resenha da obra, além de esclarecedor, é convidativo ao mostrar que o leitor, independentemente de suas crenças, tem nas páginas a seguir uma bela oportunidade de aprender mais sobre a cultura africana, com a qual o Brasil tem tantas ligações.

E o passeio é mesmo prazeroso. Se para leitores menos avisados Olodunmaré (ou Olorum), Oxalá, Omulu, Ogum, Odudua, Exu, Nanã, Oxóssi e outros nomes remetem imediatamente à umbanda ou ao candomblé, o roteirista Alex Mir trata de construir a trama tratando esses personagens como divindades. Exatamente como outras culturas fazem. E funciona.

Dividida em cinco capítulos, a obra mostra desde a criação do universo até o momento em que os deuses separam a sua morada (Orum) do mundo dos humanos (Ayê), como uma trama interessante, com uma boa dose de intrigas. Além disso, é nítido o trabalho de pesquisa do autor.

E o final, com um gancho para novas aventuras, cumpre o seu papel: deixa o leitor com vontade de “quero mais”.

A arte limpa e com uma narrativa bastante fluida (ponto para a diagramação das páginas) de Caio Majado se encarrega de deixar o visual do álbum ainda mais chamativo. E merecem destaque também as cores competentes de Omar Viñole.

O álbum traz ainda biografias, sketches, estudos de capa, bibliografia e um texto de Alex Mir sobre o processo de criação da história. E o trabalho editorial da Marco Zero é bom, apesar de alguns problemas de revisão, como hifenizações erradas.

Orixás – Do Orum ao Ayê foi publicado com o apoio do ProAC – Programa de Ação Cultural, da Secretaria da Cultura do governo do estado de São Paulo, na edição de 2009. A princípio, a obra não estava entre as dez contempladas daquele ano, mas substituiu Babilônia em chamas, de Juliano Nogueira Miossi, que acabou sendo desclassificada.

Mas a continuação não foi selecionada pelo ProAC 2011, que divulgou seus selecionados recentemente. Portanto, se sair, será sem apoio governamental.

Classificação:

4,0

• Outros artigos escritos por

.

.

.