ORQUÍDEA NEGRA

Por Diego Figueira
Data: 18 setembro, 2009


Autores: Neil Gaiman (roteiro) e Dave McKean (desenhos).

Preço: R$ 49,00

Número de páginas: 152

Data de lançamento: Setembro de 2005

Sinopse: Quando a Orquídea Negra original é assassinada por um capanga de Lex Luthor, um novo híbrido humano-vegetal desperta no jardim do Dr. Philip Sylvian.

A nova mulher-planta, com fragmentos confusos de memórias de outra pessoa, busca compreender sua natureza e o que deve fazer com sua nova vida. Sua jornada a leva primeiro a Gotham City e depois ao coração da Floresta Amazônica, em busca de respostas para as perguntas que lhe surgem em sonhos.

Mas ela ainda precisa enfrentar os homens de Lex Luthor, que a descobrem e desejam dissecá-la, e um homem misterioso do passado de Susan Linden, a mulher a quem as memórias da nova Orquídea Negra pertenciam.

Positivo/Negativo: A minissérie Orquídea Negra, publicada originalmente em 1988, foi o primeiro trabalho de Neil Gaiman e Dave McKean para a DC Comics. A obra, além de confirmar o fenômeno da “Invasão Britânica” nos quadrinhos norte-americanos, que havia começado com Alan Moore, se insere na onda de reformulações de personagens que a editora promovia naquele período.

Enquanto os grandes nomes dos quadrinhos da época, como John Byrne e Frank Miller, reformulavam os personagens principais da editora, como Superman e Batman, respectivamente, diversos outros eram destinados a novos talentos, como Gaiman e McKean.

No entanto, no caso da Orquídea Negra não se trata exatamente de uma reformulação, pois a personagem era obscura e pouco aproveitada pela editora, tanto que nem sequer dispunha de uma origem.

Dessa forma, Gaiman e McKean tinham diante de si uma folha completamente em branco para darem à personagem a origem que quisessem. Mesmo assim, a dupla optou por dar um fim à heroína que protagonizara as histórias entre 1973 e 1988 e apresentar uma nova Orquídea Negra.

Da mesma forma como faria nas primeiras histórias de Sandman, Gaiman insere seus personagens no Universo DC que o leitor já conhece, mas distante das ações dos poderosos e coloridos super-heróis de costume.

Assim, o leitor encontra um Lex Luthor que nem chega a mencionar o Superman, mas se mostra um inimigo terrível de qualquer super-herói que se preste a atrapalhar seu grande rol de atividades ilícitas. Com isso, Gaiman chega a antecipar a caracterização que o vilão teria mais de uma década depois, nas histórias em quadrinhos e nos desenhos animado da Liga da Justiça.

Os autores ainda estabelecem uma relação muito interessante entre os diversos personagens do Universo DC relacionados com o meio ambiente, como Jason Woodrue (o Homem-Florônico), o Monstro do Pântano e Hera Venenosa.

Sabiamente, essa relação se mantém no passado, antes mesmo de eles se tornarem super-heróis ou vilões, sem entrar em contradição com as aventuras em que esses personagens aparecem.

A união dos talentos de Gaiman e McKean torna a obra primorosa. Texto e arte se combinam em harmonia, especialmente nas cenas em que mostram as percepções da nova Orquídea Negra. O primeiro impacto vem pelas cores exuberantes, seguidas palas descrições excelentes do roteirista.

A trama tem um desenvolvimento totalmente diferente das histórias de super-heróis convencionais, distanciando-se da ação e da violência gratuita e focando na busca da personagem por sua identidade. Mais uma vez, a exemplo do que faria em Sandman, Gaiman mostra como uma busca pessoal pode se tornar uma grande aventura cheia de perigos e momentos intensos.

Infelizmente, a edição da Opera Graphica deixa muito a desejar. O encadernado é feito com os mesmos arquivos da minissérie em três partes publicada pela editora entre 2002 e 2003. Inclusive a página de expediente é a mesma do primeiro número, indicando, portanto, a data errada de publicação.

A encadernação, apesar de bonita, mostra-se pouco prática, pois se deforma e solta as páginas facilmente.

Além disso, diversos problemas de revisão presentes na minissérie continuam neste álbum. São erros de digitação (de letras e espaço entre palavras), ortografia e concordância, além de casos em que o texto não está corretamente ajustado aos balões.

Uma pena, pois tais defeitos prejudicam bastante uma obra de beleza e importância inegáveis para os quadrinhos.

 

Classificação:

4,0

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