Os Bebês do Fantasma

Por Marcus Ramone
Data: 17 fevereiro, 2006

Os Bebês do FantasmaEditora: Rio Gráfica e Editora – Edição especial

Autores: Lee Falk (textos) e Sy Barry (desenhos).

Preço: Cr$ 22,00 (preço da época)

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Julho de 1979

Sinopse: Visitando sua esposa nos Estados Unidos, o Espírito-que-anda recebe a feliz notícia de que será pai em breve.

Mas, onde a criança nascerá? Na Caverna da Caveira, em Bangala, como fizeram todos os outros Fantasmas? Ou na segurança de algum equipado hospital dos Estados Unidos? Esse é apenas um dos dilemas a serem enfrentados por um atípico casal de futuros pais, unidos pelo amor, mas literalmente separados por um oceano.

Em meio a tudo isso, somente uma certeza: o Fantasma nunca morrerá.

Positivo/Negativo: Desde a estréia do personagem, no longínquo 17 de fevereiro de 1936, os leitores se acostumaram a ver o atual Espírito-que-anda narrar as grandes aventuras e os incríveis feitos de seus antepassados que também vestiram o manto do Fantasma. E no final da década de 1970, finalmente, foi possível presenciar o início de uma nova geração e um futuro cheio de possibilidades para a dinastia.

Um ano antes, o Fantasma havia se casado com Diana Palmer, fato marcante em sua cronologia e na história dos quadrinhos. Pouco depois, os leitores puderam até mesmo invadir a privacidade do personagem e acompanhar sua lua-de-mel nas praias douradas de Keela-wee, local de núpcias utilizado por todos os seus ancestrais.

Assim, com o nascimento dos filhos do 21º Fantasma, fechou-se o ciclo dos acontecimentos que permitiram, aos leitores de hoje, acompanhar todos os rituais e tradições que envolvem a manutenção da lenda do Homem-que-nunca-morre.

Nesta edição especial, uma das muitas lançadas nos áureos tempos do personagem no Brasil, os principais acontecimentos são mostrados num belo texto introdutório e em um flashback nas primeiras páginas da aventura, que situam o leitor em toda uma linha temporal.

E é nesse ponto que a HQ toma a forma de clássico, como um documento histórico relatando tudo o que o atual Fantasma foi, e escrevendo as primeiras linhas sobre a nova geração.

De forma irretocável, Lee Falk desfila praticamente todos os elementos da mitologia do Fantasma dentro de uma única trama, sem parecer maçante ou forçado. A marca do bem, o anel da caveira, as tradições, as crendices, os mistérios e as verdades em torno da lenda, enfim, tudo o que fascina no universo do herói está ali presente.

O humor, leve e despretensioso, também é usado para mostrar um lado mais humano do herói. As cenas de nervosismo na espera do parto e de surpresa ao descobrir que acabara de se transformar em pai de um casal de gêmeos ilustram bem isso. Mas nada mais divertido, entretanto, que ver o Fantasma praticando, ao lado dos guerreiros Bandar, a tradicional dança que comemora o nascimento de um herdeiro do Trono da Caveira.

Embora os nomes dos bebês não tenham sido mencionados na história, todos já sabiam, pela tradição, que o menino se chamaria Kit Walker. Mas somente em uma aventura posterior a menina Heloise foi “batizada”.

Mesmo com todo esse clima singelo, Os Bebês do Fantasma ainda encaixou uma boa e velha ação para contrabalancear tudo. Entre a chegada de Diana à Caverna da Caveira para ter os filhos e o trabalho de parto, o Fantasma ainda encontrou tempo para perseguir dois facínoras que agrediram e roubaram seu amigo Joe, o simpático mercador da Floresta Negra.

Por ter sido publicada originalmente em tiras diárias nos jornais dos Estados Unidos, a história apresenta aquele incômodo de repetir um texto ou cena em um determinado intervalo de quadros. A colorização, feita no Brasil, também deixou a desejar, se limitando a realçar quase que somente os personagens e “chapando” os cenários com apenas uma ou outra cor.

Mas isso são detalhes que acabam sendo esquecidos ao final de uma das melhores histórias do Espírito-que-anda. O que fica mesmo na memória são cenas como aquela em que, num desenho de quadro inteiro, o Fantasma ergue os dois filhos em frente à cripta de seus antepassados e, não se contendo de felicidade, brada: “Ancestrais, eis a 22ª geração. Nossa linhagem prossegue”.

É preciso dizer mais?

Classificação

4,0

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