Os contos do Planta nº1

Por Milena Azevedo
Data: 21 dezembro, 2015

Os contos do Planta nº1Editora: independente – Edição especial

Autor: Gustavo Ravaglio (roteiro, arte e cor).

Preço: R$ 50,00

Número de páginas: 40

Data de lançamento: Novembro de 2015

Sinopse

Uma planta que queria ser aventureira e, por isso, não aceitava sua condição de planta. Um cientista solitário, com fisionomia de Louva-A-Deus, que tinha seu trabalho como único propósito. Suas vidas seriam incompletas e monótonas, caso nunca viessem a se encontrar. Mas não foi o que aconteceu.

Positivo/Negativo

O designer curitibano Gustavo Ravaglio ficou conhecido como o criador da coleção Capa Preta, publicando trabalhos em Capa Preta # 1 (2012) e Capa Preta Apresenta: Monstrorum História (2014).

Em sua terceira incursão pelos quadrinhos, ele foi ousado: investiu numa sensacional capa holográfica (a qual levou 42 para ser desenhada, sendo impressa na China, e estando presa ao miolo através de uma liga cinza) para apresentar seu personagem.

O Planta, na verdade, foi concebido em 2010 e, de lá pra cá, Ravaglio vem desenvolvendo trama e personagens para a graphic novel O Planta – Um bípede entre plantas. Porém, antes de publicar essa narrativa mais longa, foi convencido a produzir esta aventura piloto, que foi lançada na 9ª edição do FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, em 2015.

Decisão certeira, pois Os Contos do Planta nº 1 traz uma fábula infantojuvenil, nos moldes dos contos de Hans Christian Andersen, de quem, inclusive, foi tomado emprestado o nome de um dos personagens da história.

No prólogo, em prosa, o leitor fica sabendo que o sonho de um brotinho solitário era ter pernas para conhecer o mundo, e isso foi possível quando o Dr. Mantis o coletou e lhe deu um corpo, fazendo surgir o Planta.

Em seguida, tem-se a HQ, cuja trama mostra o protagonista sendo chamado pelo esquilo, pelo passarinho e pelo sapo para salvar o cão Biche-Biche, perdido na Floresta Antiga, um local sombrio e deveras perigoso, repleto de fungos e que esconde um labirinto com um túmulo misterioso em seu centro.

A jornada do Planta é repleta de ação, fantasia e suspense, com um quê de comicidade. E a imersão do leitor é total, devido à paleta de cores frias e foscas, que evocam mistério, bem como ao preciosismo do projeto gráfico, que faz um link entre elementos antigos e modernos, trazendo um produto diferenciado para uma faixa etária pouco explorada entre os quadrinhos independentes nacionais.

O gancho deixado ao final da trama instiga o leitor para as próximas narrativas, sejam elas a continuação de Os Contos do Planta e/ou a graphic novel.

No entanto, foi uma lástima a revisão ter deixado passar várias vírgulas que demarcam os vocativos até mais da metade da história.

Classificação

4,0

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