OS INVISÍVEIS #15

Por Rodrigo Emanoel Fernandes
Data: 1 dezembro, 2004


Título: OS INVISÍVEIS # 15 (Brainstore) – Revista mensal

Autores: Grant Morrison (roteiro) e Jill Thompson (desenhos).

Preço: R$ 7,90

Número de páginas: 24

Data de lançamento: Setembro/Outubro de 2003

Sinopse: She-Man – Parte Três – Abocalipse – Termina a iniciação do jovem Hilde, destinado a se tornar Lord Fanny dos Invisíveis. King Mob enfrenta Brodie para salvá-la e acaba sendo capturado pelos inimigos.

Positivo/Negativo: Excelente final para o arco She-Man. Finalmente, a iniciação de Lord Fanny assume um sentido e um propósito, sendo o momento de clareza também o de maior degradação, retratado nas páginas 12 e 13, quando o misterioso invisível desaparecido, João dos Sonhos, convoca Hilde para integrar o grupo.

Pouco a pouco, as peças do alucinante mosaico de Grant Morrison vão se encaixando. Explicações e pistas surgem o tempo todo, basta que o leitor tenha a perspicácia de identificá-las. Reaparecem vários elementos já familiares, como o imenso Sol Vermelho que Dane McGowan viu na edição 4, o demônio Orlando, do arco Arcádia, e o fluido azul, que apareceu em vários episódios, mas agora surge acompanhado de alguns esclarecimentos.

O trabalho de arte de Jill Thompson alcança momentos de grande força nesta que é sua última participação na série. Seu estilo, aparentemente simples, empresta potência às cenas mais dramáticas e agressivas da trama. Quanto à capa de Sean Phillips, quase não há o que comentar: é perfeita, como de hábito, erótica e belíssima.

O único ponto negativo vai para a opção de Alexandre Mandarino de traduzir o título original Apocalipstick para Abocalipse. “Lipstick” é “batom” e, embora haja uma óbvia correlação com “boca”, o batom de Hilde ganha um significado fundamental na página 24. Uma alternativa melhor seria manter o título em inglês, como, na verdade, já foi feito com o título do arco, She-Man, deixando assim o trocadilho com “Shaman”.

De qualquer forma, foi um pecado menor de Mandarino, cujos textos explicativos na seção Tinta Invisível continuam ótimos, facilitando o mergulho dos leitores no universo fascinante da HQ.

Por falar nesse universo, vale a pena lembrar que um componente interessante dos argumentos de Morrison são as referências à Magia do Caos (detalhe já mencionado num dos textos anteriores de Mandarino).

O leitor que quiser explorar esse tema mais a fundo vai encontrar dois excelentes artigos no site Alan Moore – Senhor do Caos (o melhor sobre o mago bardo em português): Uma Introdução à Magia do Caos e Magia do Caos, além de vários outros ensaios esclarecedores.

Após essa leitura, muitas obscuridades de Os Invisíveis ganham uma nova luz, tornando a série ainda mais interessante e desafiadora. Esses são os melhores e mais estilosos quadrinhos do momento. Você não vai querer perder nenhum detalhe, não é?

Classificação:

4,0

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