Pateta faz História # 1

Por José Antonio Ribeiro
Data: 18 fevereiro, 2011

Pateta faz História # 1Editora: Abril – Edição especial

AutoresBeethoven e Tutancâmon – Carl Howard (roteiro) e Hector Adolfo de Urtiága (desenhos).

Preço: Cr$ 100,00 (valor da época)

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Outubro de 1981

Sinopse

Beethoven – Pateta encarna Ludwig van Beethoven, apresentando a vida do grande compositor da infância ao primeiro concerto.

Tutancâmon – Desta vez, a história do mítico faraó egípcio e da construção da sua pirâmide será contata na versão do Pateta.

Positivo/Negativo

O Pateta, salvo raras exceções, sempre foi aproveitado da mesma maneira: uma espécie de “escada” para o astro principal da história da qual participava, notadamente seu grande amigo, o rato Mickey. Suas ações pouco mudavam: era o bobo da vez, ora engraçado, ora não, que invariavelmente complicava a situação, fazendo o personagem central salvar o dia.

E não foram poucas as situações em que a ausência dele em nada alteraria o desenvolvimento do enredo.

Agora as exceções: algumas histórias solo com o Pateta civil e outras como seu alter ego, o Super Pateta. Nas do primeiro grupo, ele se enrolava nas próprias trapalhadas para, ao final, resolver tudo do seu jeito.

Já como super-herói, e principalmente nas mãos do desenhista norte-americano Paul Murry, o Pateta era retratado como o ingênuo de costume, mas enfrentava as situações com um pouco mais de dignidade (embora continuasse o mesmo atrapalhado de sempre).

Esse jeitão abobalhado foi também muito aproveitado nos desenhos animados da Disney, nos quais contracenava com Mickey e Donald, e até nos que ele mesmo estrelaria, tempos depois.

Mas o melhor aproveitamento do personagem, mantendo as suas características básicas, mas sem exageros, foi na série Pateta faz História, inicialmente publicadas no lendário Almanaque Disney, na década de 1970.

Depois, as histórias foram relançadas no início dos anos 80, em cinco edições especiais contendo duas aventuras cada. Posteriormente, saiu um sexto volume e a série ganhou republicações nos anos posteriores.

A versão dos anos 80, aqui resenhada, era pouco maior que o “formatinho” padrão da Abril, com capa em papel mais espesso e uma apresentação destinada aos produtos mais caros da casa, como o Disney Especial.

Quase todas as páginas do miolo eram reservada para as HQs. As propagandas ficavam limitadas à quarta capa. Havia chamadas da Abril nas demais capas e a última página era reservada para apresentar detalhes do próximo número da série. Ou seja, um aproveitamento quase total da edição.

Os primeiros quadrinhos faziam uma introdução ao personagem que seria retratado, sempre com a participação de Pateta e Mickey. Terminado o prólogo, sempre desenhado no formato tradicional, começava a história propriamente dita, na qual a arte do já falecido desenhista argentino Jaime Diaz se sobressaía.

Em toda a série, o próprio cenário participava das aventuras de forma natural: seja interagindo com os personagens, seja dividindo os limites dos próprios quadrinhos. Era normal também que objetos fora da época retratada fossem integrados ao visual, mas sempre dentro do contexto.

Sem dúvida, o formato ajudava muito nesse sentido, pois em páginas menores muitos desses detalhes seriam perdidos. Tudo isso é beneficiado pelo traço limpo de Diaz, que garante extrema leveza aos personagens. As cores seguem o padrão que a Abril definiu para as revistas Disneyna época.

O enredo, dos estúdios Disney Program, aproveitava do personagem adaptado apenas alguns fatos mais conhecidos, que eram extrapolados para o puro nonsense.

Aliás, vale lembrar que, embora o título fizesse relação à História, muitos dos personagens retratados pertenciam ao mundo das lendas e da literatura.

A ausência de textos explicativos, como uma biografia do homenageado, era em parte compensada nos quadrinhos iniciais, em que Mickey explicava ao Pateta quem era o personagem e sua importância histórica.

Como, na época, tratava-se de uma publicação voltada exclusivamente para crianças, a presença de tais textos acabava se tornando desnecessária.

Por fim, este primeiro número trazia de brinde, como era costume em algumas publicações daAbril, um adesivo de plástico do Pateta na pele do faraó Tutancâmon.

Curiosamente, esta série, considerada uma das melhores já feitas com personagens Disney, esteve nos dois extremos do extinto Almanaque Disney: nas suas páginas em 1978 e em suas edições finais, antes de ser cancelada, em 2005.

Classificação

5,0

• Outros artigos escritos por

.

.

.