PEANUTS COMPLETO – 1955 A 1956

Por Sidney Gusman
Data: 1 dezembro, 2010

PEANUTS COMPLETO - 1955 A 1956

Editora: L± – Edição especial

Autor: Charles M. Schulz (roteiro e arte).

Preço: R$ 68,00

Número de páginas: 344

Data de lançamento: Agosto de 2010

 

Sinopse

Terceiro volume da coleção que compila, em ordem cronológica, todas as tiras diárias e dominicais de Peanuts, de Charles M. Schulz.

Positivo/Negativo

Quando a L± anunciou Peanuts Completo, houve quem achasse que uma coleção tão longa e de acabamento gráfico sofisticado não fosse vingar por aqui. Os pessimistas de plantão estavam errado, felizmente. A editora gaúcha emplacou um de seus maiores acertos nos últimos anos.

Tanto que o primeiro e o segundo álbuns já ganharam reimpressões.

Este terceiro volume tem prefácio de Matt Groening, o criador de Os Simpsons. No texto, ele demonstra toda a sua devoção ao trabalho de Schulz.

O mais legal desta coleção é acompanhar a evolução dos personagens ao longo dos anos. E quem não conhece a origem de Peanuts pode se surpreender por alguns deles.

No primeiro livro, Charlie Brown não era o perdedor nato e até aprontava
das suas com as garotas. Snoopy ainda era só um cachorro de estimação. Schroeder,
Lucy e Linus surgem como crianças mais novas – e menores – que o protagonista.
E Violet, Shermy e Patty (que não é a sua xará Pimentinha)
estavam entre os personagens principais.

O segundo tem a estreia de Chiqueirinho, Linus fica em pé pela primeira vez, Snoopy começava a ter balões de pensamento e Charlie Brown começava a mostrar sua personalidade derrotista, mas tinha lá seus momentos de glória, dando o troco nas garotas.

Neste terceiro, a altura das crianças é quase igual, Charlie Brown sofre sua primeira edição decepção no beisebol, Snoopy começa a andar sobre duas patas e a pensar como cão que conquistaria o mundo anos depois, Lucy está cada vez mais insuportável e Linus fala suas primeiras palavras.

Aliás, Linus é o grande destaque deste volume, com excelentes piadas, que não dependem apenas de seu cobertor.

Chama a atenção o fato de que Schulz, ainda nos anos 50, delineou a personalidade que vários de seus personagens teriam dali pra frente. Charlie Brown, por exemplo, começa a se dar mal invariavelmente.

Graficamente, a versão da L± é impecável, mas, mais uma vez, a editora peca por não inserir notas a respeito de vários nomes mencionados pelos personagens que fazem sentido para o público norte-americano, mas não para o brasileiro.

Quantos leitores daqui sabem quem são Davy Crockett (militar estadunidense considerado um herói nacional e que usava um chapéu de pele como de Daniel Boone, que foi tema de um seriado nos anos 1960), Sam Snead (golfista profissional), Willie Mays e Duke Snider (jogadores de beisebol), Miss Frances (personagem principal de um seriado para crianças chamado Miss Frances’ Ding Dong School, estrelado pela atriz Frances Rappaport Horwich e exibido nos anos 50) ou Stephen Foster (compositor do Século 19, conhecido como o “pai da música norte-americana”)?

Se a L± não quer, por razões estéticas, incluir notas curtas sob as tiras, poderia ao menos incluir essas informações no índice de aparições que está nas páginas finais e já traz todos esses nomes sem, porém, explicar quem são as pessoas.

Novamente, fica a dica para os próximos volumes. Pela qualidade deste material, esta dedicação editorial é mais do que justificada; é necessária.

Classificação:

4,0

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