Pictures That Tick

Por Liber Paz
Data: 18 fevereiro, 2011

Pictures That TickEditora: Dark Horse – Edição especial

Autor: Dave McKean (texto e arte)

Preço: US$ 19,95

Número de páginas: 184

Data de lançamento: Setembro de 2009

Sinopse

Uma coletânea com diversas histórias em quadrinhos curtas produzidas por Dave McKean entre 1990 e 2001. São contos e crônicas sobre vários assuntos que se apresentam em sequências de imagens feitas com numerosas técnicas, acompanhadas ou não de textos.

Positivo/Negativo

Em um dos comentários em Pictures That Tick, Dave McKean escreve: “a indústria dos quadrinhos parece ter um medo patológico da mudança”. Nesse mesmo texto, fala sobre seu fascínio pelas HQs, que considera uma das mídias mais poderosas, acessíveis e democráticas.

Segundo McKean “todo mundo faz quadrinhos”. Isto é, todo mundo tira fotografias do feriado na praia ou do casamento ou da festa das crianças, depois as dispõe em um álbum com uma sequência e, a partir daí, conta suas histórias.

Todas essas ideias o autor põe em prática na série de tramas curtas reunidas em Pictures That Tick. Ele busca pela mudança “temida” pela indústria, “caça” o diferente. Não apenas na concepção estilística da arte ou no uso de linguagens e técnicas incomuns, mas também na elaboração dos textos e temas das histórias.

Aliás, alguns episódios nem podem ser classificados exatamente como uma história, estando mais próximos de um poema ilustrado.

Visualmente, o álbum é arrebatador. Diversas técnicas de ilustração, desenho, pintura, fotografia, uso de máquinas fotocopiadoras. São mais de 15 histórias curtas, muitas delas experimentais, desenvolvidas apenas com o propósito de “brincar” com os quadrinhos.

Aliás, talvez toda essa diversidade até se constitua num problema, porque fica a impressão de que falta unidade na obra. Há comentários curtos de McKean antes de cada história, mas o layoutdessas páginas de comentários confunde-se com o das próprias HQs. Nada que o leitor não possa superar, mas, ainda assim, gera certo estranhamento.

Outra questão é a da linguagem sequencial dos quadrinhos. Em alguns episódios, o texto predomina na narrativa, tornando as imagens uma mera sequência de ilustrações.

De fato, essas histórias acabam caindo no modelo do álbum de fotografias mencionado pelo próprio McKean: imagens independentes justapostas tendo a relação de significado entre si construída apenas pelo texto. Um exemplo é Two Pages, muito mais um conto ilustrado do que uma HQ.

Entretanto, há muitos momentos em que a linguagem sequencial é muito bem desenvolvida. Há uma série de histórias sem palavras na qual o desenho pincelado ou o traço do bico de pena constrói ótimas narrativas.

Destaque para Bitten & Bruised, em que um sujeito passa por situações surreais envolvendo sua esposa, uma outra mulher e um escorpião. Também merecem menção as histórias Mixed Metaphors e His Story.

Na sua busca pela “mudança”, pelo diferente e original, Dave McKean se arrisca pondo de lado, em alguns momentos, a linguagem sequencial. Entretanto, o saldo final é bastante positivo, com diversos trabalhos belíssimos.

Classificação

4,5

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