PIRATAS DO TIETÊ – A SAGA COMPLETA – LIVRO 1

Por Guilherme Kroll Domingues
Data: 1 dezembro, 2008


Autor: Laerte (roteiro e desenhos).

Preço: R$ 52,00

Número de páginas: 112

Data de lançamento: Agosto de 2007

Sinopse: Álbum que compila a saga completa dos Piratas do Tietê, com histórias originalmente publicadas nas revistas Chiclete com Banana, Circo e a própria Piratas do Tietê.

Positivo/Negativo: Criados para estrelar uma HQ na revista Chiclete com Banana, os Piratas do Tietê não demoraram a estrelar seu próprio título, no início dos anos 90. Apesar de ter durado apenas 14 números, o sucesso foi enorme, chegando a atingir tiragens de 150 mil exemplares.

O material dessas revistas, mais histórias publicadas na Circo e algumas tiras da série de jornal compõem este e os outros dois álbuns da coleção Piratas do Tietê – A Saga Completa, que a Devir, em parceria com a Jacaranda, está publicando.

O livro chama atenção já na apresentação. Formato de luxo, tamanho diferenciado (21 x 28 cm), capa dura, papel de qualidade, com as HQs ainda em preto-e-branco, mas com o primeiro caderno colorido.

Editorialmente, o álbum também é primoroso. A começar pela apresentação de Marcelo Alencar, que traça o perfil do genial Laerte Coutinho. A seguir, na abertura de cada uma das aventuras há a “história da história”, na qual o próprio autor narra, em um pequeno texto introdutório, as circunstâncias que envolveram a criação de cada uma. Tudo isso ilustrado com algumas tiras de seu trabalho na Folha de S.Paulo.

As HQs, algumas publicadas no inusitado formato horizontal original da revista Piratas do Tietê, demonstram o porquê do tratamento especial conferido ao álbum. São hilárias, repletas de ironias e sacadas sensacionais.

Na primeira, A história que deu origem à série, mostra os Piratas fazendo o que fazem melhor: barbarizar São Paulo. Eles incomodam os paulistanos de todas as formas possíveis, seja em seus escritórios, em seus carros ou mesmo no Play Center, parque de diversões que fica na Marginal Tietê e, portanto, de fácil acesso aos bucaneiros. Aqui já é possível identificar uma das principais bases das piadas dos personagens: o modo de vida cosmopolita e “sério” da maior cidade do Brasil.

A HQ seguinte é Origens dos Piratas do Tietê. Como foi publicada originalmente na revista dos personagens, ela é no formato horizontal. Na trama, um professor de escola conta a um bando de alunos-piratas a origem deles.

Assim, eles ficam sabendo como os piratas se encontraram com um grande ícone da história de São Paulo, os bandeirantes, e lhes distribuíram tiros e roubaram-lhes as índias nuas. Na introdução, Laerte diz que pretendia fazer novas origens dos personagens, mas ficou apenas nessa.

Shangri-lá é uma resposta a uma ocasião em que Laerte cedeu o Capitão para um evento da despoluição do Tietê, mas alteraram seu texto e colocaram um ator vestido como um pirata de luxo. A história é uma vingança contra os “ecochatos” e põe os piratas destruindo um ecossistema. No final, um engraçadíssimo encontro metalingüístico do criador com suas criações.

A sintonia com o que acontecia com a cidade na época está retratada em O Jacaré do Tietê. Na HQ, Tupã concede que o jacaré entre no mercado de ações para enriquecer (a cena dele na Bolsa de Valores de São Paulo, vestido de terno e gravata e portando uma valise é impagável). O réptil perde tudo e os Piratas o levam para o mau caminho.

Laerte brinca com as histórias míticas indígenas, sobretudo na participação de Tupã em São Paulo. Essa mescla humorística de cidade e natureza é exatamente o que o jacaré no rio Tietê representava na época. Destaque para a piada final.

Em Bandeirantes do Pinheiros, os piratas se encontram novamente com os “heróis” do passado da cidade. Laerte mostra a semelhança dos dois grupos, já que ambos barbarizavam tudo que encontravam pela frente. O ponto alto fica para a narrativa sobre a bandeira. Enquanto o texto dos quadros relata coisas amenas, as ilustrações narram a destruição e morticínio perpetrados pelos bandeirantes.

No fim, inescrupulosos empresários são a evolução natural dos bandeirantes que tem de acertar as contas com os piratas. E aí, Capitão e seus comandados fazem a festa.

Tesouros do Japão, outra pérola, coloca frente a frente os piratas e um verdadeiro esquadrão sentai japonês, com robô gigante e tudo.

E, fechando a edição, Dia de Pesca mostra os piratas pescando os tipos paulistanos que cruzam uma ponte. Há economistas, publicitários, mas o que eles gostam mesmo é de uma sexóloga.

Este primeiro volume de Piratas do Tietê – A Saga Completa é imperdível, tanto para os fãs dos personagens quanto para quem nunca leu essa verdadeira obra-prima do humor.

Classificação:

4,0

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