PLANETARY E AUTHORITY – DOMINANDO O MUNDO

Por Eduardo Nasi
Data: 1 dezembro, 2008


Autores: Warren Ellis (texto), Phil Jimenez (desenhos), Andy Lanning (arte-final) e Laura DePuy (cores).

Preço: R$ 11,90

Número de páginas: 48

Data de lançamento: Abril de 2008

Sinopse: Um ser que lembra um polvo gigantesco ataca a cidade de Judgment, no estado norte-americano de Rhode Island. Ao lado dele, estão diversos peixes monstruosos.

Mas a origem das criaturas e os motivos dos ataques estão no passado – e em outros mundos. Para impedir um mal maior, Authority e Planetary têm que se unir, ou, pelo menos, agir tão em conjunto quanto os próprios grupos permitem.

Positivo/Negativo: Desde o fim do ano passado, a Pixel vem publicando encontros entre o grupo Planetary e outros heróis, como Batman e Liga da Justiça. De uma maneira mais ampla, seriam histórias que se enquadram no que o jargão dos super-heróis chama de crossovers, ou seja, histórias em que dois personagens ou grupos de personagens se encontram.

Nessas histórias é comum ver que o encontro não é apenas entre personagens. Os elementos e as características de duas narrativas ficcionais diferentes também são aproveitados pelos roteiristas. Assim, tomando por exemplo uma história que une a Liga da Justiça e os Vingadores, há um confronto entre os alicerces da DC e da Marvel.

Os encontros de Planetary não são tradicionais. Nos três casos, incluindo aí esta edição, o grupo liderado por Elijah Snow se recusa a dividir a história. Batman, Liga da Justiça e, agora, o Authority são meros convidados.

Um dos motivos é a própria natureza de Planetary. As aventuras do grupo são, sempre, lotadas de referências e convidados dos quadrinhos e da cultura pop. Sherlock Holmes, Nick Fury e Godzilla se enfileiram na imensa lista de citações usadas por Warren Ellis na série regular (publicada atualmente na antologia mensal Pixel Magazine). E o grupo é um anfitrião rigoroso: quem entra em suas histórias tem que se adequar às características delas.

O problema de Dominando o mundo é que Authority parece relutar a se submeter ao time de Elijah Snow. Embora a trama seja uma história típica do Planetary, há partes em que o Authority parece querer se impor. E, apesar de todos os méritos, perto dos Arqueólogos do Impossível o grupo de Jenny Sparks continua sendo apenas uma versão (bastante) mais radical da Liga da Justiça.

Faltou química no confronto entre os mundos. Warren Ellis, criador dos dois grupos, acabou se perdendo ao não deixar a trama dominadora de Planetary domar Authority. Toda vez que a história começa a fluir, é interrompida por uma pancadaria. E o resultado é apenas razoável, com alguns bons momentos (Elijah Snow e Jenny Sparks na cama em 1939, por exemplo).

A situação também é complicada na arte: Phil Jimenez é um artista obcecado por detalhes, e seu trabalho é mais truncado que o do titular de Planetary, John Cassaday. A química entre o artista e o roteiro, portanto, deixou a desejar.

A edição da Pixel, ao menos, ajuda a destacar a história. O formato 20,2 x 29 cm, maior que o comum, dá mais visibilidade aos detalhes da arte e chama a atenção nas bancas.

Só é uma pena que, na página de créditos, o nome de Phil Jimenez tenha sido grafado de duas formas diferentes, uma logo embaixo da outra, e ainda por cima em corpo de texto grande. É uma falha feia de revisão, que deveria ter acabado junto com os erros de português, como a editora anunciou em seu blog no começo deste ano.

Classificação:

4,0

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