PLANETARY E LJA – TERRA OCULTA

Por Eduardo Nasi
Data: 1 dezembro, 2008


Autores: Warren Ellis (texto), Jerry Ordway (arte) e David Baron (cores).

Preço: R$ 11,90

Número de páginas: 48

Data de lançamento: Fevereiro de 2008

Sinopse: Em um universo alternativo (e não são todos assim?), uma organização chamada Planetary dominou a Terra. Seu poder vem de avanços tecnológicos roubados de seres especiais que em outra realidade viriam a formar a Liga da Justiça.

O jovem Bruce Wayne descobriu a verdade por trás de Elijah Snow e seus aliados. Para enfrentá-los, convocou dois superpoderosos: um jornalista chamado Clark Kent e a amazona Diana Prince.

Positivo/Negativo: À primeira vista, Terra Oculta, pode ser visto como um sucessor de Noite na Terra, álbum que reuniu Planetary com Batman. Ambos saíram em um curto intervalo de tempo, com o mesmo formato de 48 páginas em 20,2 x 29 centímetros, têm Warren Ellis como autor e, mais do que tudo, unem o grupo da Wildstorm com heróis da DC Comics.

Mas as semelhanças acabam aí.

Antes de tudo, Terra Oculta é uma história elseworld, ou seja, que se passa em um mundo ficcional paralelo e não tem amarras com as cronologias correntes. A Liga da Justiça desta narrativa não é aquela que se conhece das histórias da DC, e sim um grupo que sofreu interferência do Planetary desde sua origem. Com isso, Batman teve seu pai assassinado por Elijah Snow, Superman nunca vestiu o traje com S no peito, Barry Allen teve seus genes usados para criar uma tropa de mensageiros supervelozes e por aí vai.

Os arqueólogos do impossível, por sua vez, também foram influenciados pela relação com os heróis da DC. De posse da nave kryptoniana de Kal-El e dos anéis dos Lanternas Verdes, promoveram uma explosiva revolução tecnológica, peça-chave na conquista do mundo. O resultado é que os personagens de Planetary também estão diferentes.

Nem Universo DC nem Wildstorm, a dialética dos dois mundos em conflito rendeu um terceiro, justamente o cenário de Terra Oculta. E aí está o primeiro problema da trama armada por Warren Ellis: o resultado é um mundo futurista que parece interessante, com potencial, mas é pouco explorado.

As inovações mostradas na história ficam no nível básico do teletransporte e dos carros especiais. São invenções mais que comuns, presentes em qualquer ficção científica mequetrefe; e de Ellis se espera mais que isso.

Há também alguns problemas com a própria narrativa: a história tem um começo espichado, quase enrolado, que contrasta com o final corrido, que deixa pontos demais em aberto. Tudo bem que algumas brechas soam como uma estratégia do roteirista para garantir margem para uma continuação, mas não fica claro como Diana dá a volta por cima e derrota Jakita Wagner para, então, levar ao desfecho.

Mesmo com um defeito dessa magnitude, que cruza a HQ do começo ao fim, a história tem bons acertos, como o clima decadente da Estação Central de Gotham, logo no começo, ou o primeiro combate de Superman com Ambrose Chase. São passagens rápidas e memoráveis, que ainda diferenciam a trama da baixa média dos quadrinhos de super-heróis atuais.

Por conta delas, Jerry Ordway se dá bem na ingrata tarefa de substituir John Cassaday, um dos melhores desenhistas da atualidade. Seu traço, pesado e bem marcado, é o oposto do titular de Planetary, mas continua eficientíssimo para HQs de super-heróis.

Infelizmente, apesar das boas escolhas gráficas de tamanho e papel, a versão brasileira de Terra Oculta tem alguns problemas. Seriam coisas simples, de se deixar passar, se a própria Pixel não houvesse recém-divulgado um compromisso de acabar com os erros português em suas publicações em um post no seu blog.

Embora a revista não seja numerada, a sétima página reúne dois pequenos deslizes em um único recordatório: Mulher-Maravilha grafada sem hífen e a sigla KG no lugar de QG, de quartel-general. Mais adiante, vêm um erro de edição: a sede lunar do Planetary é chamada por dois nomes diferentes, Torre de Vigilância e Torre de Vigia, quando o preferível é o primeiro, por ser a tradução consagrada nas histórias da Liga da Justiça.

Outro problema que a Pixel poderia se comprometer a resolver é a qualidade dos textos editoriais, que andam com uma construção simplória. A breve introdução deste volume, na segunda capa, traz clichês como “tem o prazer de lançar” e “chega de papo para não estragar a surpresa”. Como aventuras do nível de Terra Oculta são sofisticadas e atraem um leitor exigente, a adoção de uma estrutura mais rica e criativa é essencial. E urgente.

Classificação:

4,0

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