Plastic Man – Volume 1 – On the lam

Por Tiago Salviatti
Data: 27 junho, 2014

Plastic Man – Volume 1 – On the lamEditora: DC Comics – Edição especial

Autor: Kyle Baker (roteiro e arte) – Originalmente publicado em Plastic Man # 1 a # 6.

Preço: US$ 16,99

Número de páginas: 144

Data de lançamento: Março de 2005

Sinopse

O encadernado segue a história do ex-criminoso Patrick “Enguia” O’Brian. Agora um amalucado herói de borracha e membro da Liga da Justiça, o Homem-Borracha foge de uma vida de glamour por seu status como combatente do crime para reencontrar suas origens.

Positivo/Negativo

Não se deixe enganar pela arte infantiloide – aliada a motivos nos mesmos tons nas capas, como o protagonista se disfarçando de quadro para capturar um bandido ou protegendo os Três Porquinhos do Lobo Mau…

Há muito de um humor sarcástico (e ácido) que anuncia uma verdadeira pérola, infelizmente, abandonada e esquecida – afinal, a própria DC nem sequer concluiu a compilação da série em encadernados.

Poucas ideias nos quadrinhos casaram tão bem quanto usar a cartunesca arte de Kyle Baker para retratar as aventuras do tresloucado herói da Liga da Justiça com tamanha liberdade de ação e movimentos (não deixe o nome em português enganar você pelo “Borracha”, pois a maleabilidade, a “plasticidade” do personagem é uma característica marcante desde sua criação).

A série deveria servir de ponte para uma animação no bloco adulto do Cartoon Network, o Adult Swim, e estava originalmente programada para sair pelo selo Vertigo, ainda que aclamada pela crítica na época (inclusive com prêmio Eisner de melhor série cômica de 2004). Mas os elogios não se reverteram em vendas, causando um cancelamento prematuro na edição # 20.

Uma pena, porque a DC não prestou grande esforço para promover a série, tampouco dedicou atenção a ela em meio a seus tantos e simultâneos megaeventos (Plastic Man teve a infelicidade de sair entre Crise de Identidade e Crise Infinita – que teve longos prólogos por todo o espectro do Universo DC).

É um mal que acomete as linhas principais de quadrinhos de Marvel e DC com as incontáveis ressurreições, reboots, retcons e mudanças – que nunca saem do mesmo lugar –, enquanto materiais mais ousados acabam relegados a um pequeno espaço nas prateleiras, sem grande destaque e exposição e tendo de brigar pela própria sobrevivência contra os medalhões da indústria.

Mas, dez anos depois, as histórias de Kyle Baker trabalhando a origem de “Enguia” O’Brian para apresentá-lo a uma audiência mais nova, enquanto reintroduzia velhos coadjuvantes da série dos anos 1940 de Jack Cole – como o rechonchudo Woozy Winks (chamado no Brasil de Bolão) – e apresentava novos, como a voluptuosa Agente Morgan ou a menina gótica Edwina, continuam excelentes. Isso sem contar as menções ao personagem na série JLA (mas isso é assunto para a resenha do Volume 2 – Rubber Bandits).

Baker também demonstra grande talento nos roteiros, inclusive por apropriar-se ainda mais da perspectiva cartunesca, utilizando estruturas arquetípicas para construir e desenvolver os personagens sem detrimento ao desenvolvimento das tramas. Pelo contrário, isso é bem comum nos mais longevos desenhos animados, com um bem trabalhado desenvolvimento do elenco principal.

São os contrastes (na arte e roteiro) da determinada e sisuda Agente Morgan ao parvo de bom coração Woozy Winks que servem como extremos dos limiares para a personalidade e ações de O’Brian. E ajudam a deixar a leitura do álbum ainda mais deliciosa.

Classificação

4,5

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