Ponto de Ignição # 1

Por Marcus Vinicius de Medeiros
Data: 10 fevereiro, 2012

Ponto de Ignição # 1Editora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Geoff Johns (roteiro), Francis Manapul e Scott Kolins (desenhos), Brian Buccellato e Michael Atiyeh (cores) – Publicado originalmente em The Flash # 9, # 10 e # 11.

Preço: R$ 5,90

Número de páginas: 64

Data de lançamento: Janeiro de 2012

Sinopse

Barry Allen, cientista policial que é na verdade o super-herói Flash, investiga o caso de mortes por envelhecimento acelerado, como se o tempo das vítimas fosse roubado.

Paralelamente, surge em cena um novo supervelocista, o Perseguidor Implacável, com a revelação de uma ameaça a todo o Multiverso.

Positivo/Negativo

O roteirista Geoff Johns construiu nos últimos tempos a reputação de especialista em revitalizar personagens problemáticos e engendrar sagas grandiosas ao redor deles. Após o retorno do Lanterna Verde Hal Jordan e suas bem-sucedidas A guerra dos anéis e A noite mais densa, o autor voltou suas atenções para Barry Allen, o Flash da Era de Prata que há pouco voltara à vida.

Foi centrado na figura do Flash que Johns arquitetou mais este mega-crossover, que serviu também para reiniciar toda a cronologia do Universo DC, num ambicioso reboot que relançou 52 títulos mensais.

Justamente por conta dessa jogada criativa e comercial, as atenções se voltam para Ponto de ignição, colocando à prova, uma vez mais, o talento desses artistas e o carisma de heróis consagrados.

Esta primeira edição funciona como um prelúdio à saga, pois traz apenas os últimos números da série mensal do Flash nos Estados Unidos, justamente as histórias que abrem caminho para a realidade alternativa que virá.

Infelizmente, a julgar pelas três aventuras iniciais, a sensação é de que Geoff Johns escreveu sem muita inspiração, recaindo na solução fácil dos clichês. Barry Allen é um personagem de potencial, especialmente por conta de seu trabalho como cientista policial e por voltar à vida após tantos anos, mas não diz a que veio aqui.

O herói não demonstra motivações convincentes ou personalidade atrativa, e as reviravoltas no roteiro, marca registrada de Johns, nunca pareceram tão previsíveis e pouco naturais.

Histórias de realidade alternativa estão longe de ser novidade nos quadrinhos, mas podem render bons momentos se bem exploradas. Ainda é cedo para julgar como o mundo de Ponto de ignição vai revirar heróis e vilões, mas o grande problema é que esta edição não contribui com a tarefa de atiçar a curiosidade do leitor.

Após as duas primeiras histórias que não convencem, surge um conflito emocional interessante no terceiro capítulo, mas é pouco. Quando a família e amigos de Barry Allen decidem confrontá-lo em relação a seu afastamento, parece que Johns encontrou um gancho eficaz para a série. Com diálogos afiados, a interação com os coadjuvantes é o ponto alto desta edição de abertura.

Já a trama principal, que envolve as mortes misteriosas por envelhecimento acelerado, segue cada vez menos envolvente. E no momento em que o grande vilão é revelado, na última página, percebe-se a escassez de ideias do roteirista, e como esse trabalho resulta em “mais do mesmo”. Para quem segue as aventuras do Flash há mais tempo, fica claro o quanto as situações só fazem reciclar argumentos antigos.

Ao menos não há o que reclamar da arte. Francis Manapul, que já havia trabalhado com Johns nas boas aventuras do Superboy, foi um dos maiores achados dos últimos tempos. Suas ilustrações são belíssimas, e ele é perfeito para o Velocista Escarlate. É o tipo de desenho que cria uma atmosfera própria e contribui sobremaneira com a trama.

Por outro lado, Scott Kolins desenha a terceira história da revista com uma coloração que causa estranhamento, apesar de seu bom traço. A edição da Panini, em papel especial, conta com uma breve retrospectiva dos fatos recentes na vida do Flash, ajudando a situar o leitor.

Apesar da decepção inicial, fica a esperança de que Geoff Johns encontre seu rumo na próxima edição, quando a saga começa pra valer. O fim de um era para a DC Comics merece uma despedida à altura.

Classificação

2,0

• Outros artigos escritos por

.

.

.