Ponto de Ignição # 2

Por Marcus Vinicius de Medeiros
Data: 9 março, 2012

Ponto de Ignição # 2Editora: Panini Comics – Minissérie mensal em cinco edições

Autores: Geoff Johns (roteiro), Scott Kolins, Francis Manapul e Adam Kubert (desenhos), Sandra Hope (arte-final), Michael Atiyeh, Brian Buccellato e Alex Sinclair (cores) – Publicado originalmente em Flash # 12 e Flashpoint # 1.

Preço: R$ 5,90

Número de páginas: 56

Data de lançamento: Fevereiro de 2012

Sinopse

Após enfrentar o Professor Zoom, o Flash (Barry Allen) se vê perdido numa realidade alternativa em que nada é o que parece.

Positivo/Negativo

Depois de um fraco primeiro número, a minissérie Ponto de ignição finalmente mostra a que veio, apresentando enfim conflitos interessantes e uma realidade alternativa bem diferenciada.

A Panini acertou em incluir nas revistas o prelúdio para a saga, publicada originalmente na série mensal do Flash. Assim, os leitores não são obrigados a comprar mais uma publicação para entender a trama.

O roteirista Geoff Johns preparou toda uma teia de eventos que vem desde a saga Flash – Renascimento, que inclui uma nova motivação para heróis e vilões (em especial a relação entre Barry Allen e o Professor Zoom), e tais elementos dão um fôlego extra à narrativa.

Vale ressaltar que, ao contrário do que aconteceu com o Lanterna Verde, outro personagem revitalizado por Johns, as mudanças no Flash de início não pareceram tão oportunas, porém começam a fazer sentido. Afinal, há aqui o trabalho de um autor que planeja suas histórias a longo prazo, e geralmente compensa o investimento do público.

Um ponto positivo desta edição é o teor emocional das tramas, que fogem da mesmice por conta do texto incisivo de Johns. Relacionar o vilão Professor Zoom com a morte da mãe de Barry Allen pode ter sido uma saída fácil, mas o roteirista explora o melhor da tragédia na trama.

A interação entre o velocista e seu sidekick Kid-Flash, a parceira de laboratório Patty e sua esposa Íris também é muito bem conduzida, garantindo ao personagem um foco social que complementa bem sua carreira heroica. E Zoom, com o poder de alterar a própria idade, revela-se um inimigo ainda mais implacável.

Por outro lado, o novo anti-herói Perseguidor Implacável tem pouco brilho, e sua inclusão no universo do Flash ainda não encontrou um propósito bem definido. Fica a esperança de que o roteirista explore melhor o personagem em edições futuras, pois ele já provou saber trabalhar com coadjuvantes improváveis.

O grande destaque, como não poderia de ser, é a apresentação da realidade alternativa na qual vai se desenrolar toda a ação da série, e ponto de partida para o reboot da DC Comics. A exemplo de sagas como A Era do Apocalipse e Dinastia M, da rival Marvel, Ponto de ignição vira do avesso tudo o que se conhece do universo de super-heróis mais tradicional dos quadrinhos. Trata de um mundo onde não há Superman ou Liga da Justiça, o maior herói do pedaço é o Ciborgue, a Atlântida entra em guerra na Europa e outro Wayne está sob o capuz de Batman.

Johns acertou em cheio com suas ideias para esse reino da existência alternativo, onde só o Flash sabe que tudo está diferente. E como a mãe de Barry nesta realidade ainda está viva, o herói passa a experimentar um turbilhão de emoções enquanto tenta descobrir a verdade.

É o tipo de elemento dramático que funciona perfeitamente para manter a situação em perspectiva numa grande saga de transformações cronológicas, e fica evidente que um dos maiores escritores de super-heróis de nosso tempo volta à boa forma.

Como a série ainda está no início – a história desta segunda edição corresponde ao primeiro número original -, fica difícil prever que caminhos ela poderá seguir. Mas Ponto de ignição já cumpriu o objetivo de garantir o interesse do leitor. Fãs de longa data por certo ficarão intrigados com as possibilidades deste Universo DC alternativo; e os novatos também encontram muito o que apreciar.

O texto de Johns vai além do fetiche dos fanáticos por cronologia, mas é óbvio que, quanto mais se conhece dos personagens, mais se pode curtir a história.

Na arte, Scott Kolins e Francis Manapul continuam o bom trabalho com o Flash, mas é Adam Kubert quem realmente se destaca. Suas composições são dinâmicas, cinéticas. Os personagens surgem grandiosos e os cenários exuberantes, com uma técnica narrativa impressionante. É um desenhista que não produz muitas páginas atualmente, mas, quando o faz, o resultado é pra lá de satisfatório.

Parece que a saga que vai (mais uma vez) redefinir o Universo DC está no caminho certo.

Classificação

4,5

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