Popeye 60 anos

Por Marcelo Naranjo
Data: 28 março, 2008

Popeye 60 anosEditora: L&PM – Edição especial

Autor: Elzie Crisler Segar (roteiro e arte)

Preço: Variável, depende do sebo onde for encontrado

Número de páginas: 64

Data de lançamento: 1989

Sinopse: O Rei da Nazília: tiras diárias publicadas nos Estados Unidos entre 02/01/1933 e 04/03/1933.

Popeye, Rei da Popilânia: tiras diárias publicadas nos Estados Unidos entre 06/03/1933 e 08/07/1933.

Positivo/Negativo: E. C. Segar (1894 – 1938) é um dos maiores nomes dos comics norte-americanos. Apesar de ter morrido jovem (aos 44 anos, de leucemia), este criador deixou um legado cultural imenso, em especial na conhecida figura do marinheiro Popeye.

Não só isso: vários termos de sua criação foram incorporados ao linguajar norte-americano (alguns livros afirmam que as palavras Jeep e Goon teriam se popularizado a partir da obra de Segar), bem como diversas frases de efeito viraram expressões usuais no dia-a-dia de seu país. E não só originalmente ditas pelo marinheiro, mas também pelo comilão inveterado, preguiçoso e cara-de-pau Wimpy (no Brasil, Dudu ou Pimpão), outro personagem que ultrapassou as fronteiras do que hoje conhecemos por cultura pop, tornando-se até nome de uma rede de fast food do Reino Unido. E tudo começou com uma lanchonete fundada na década de 1930 nos Estados Unidos, por um fã de Popeye.

Este álbum da L&PM é um verdadeiro registro histórico da época em que Segar vivia seu auge criativo, além de ser material raro e difícil de encontrar, já que as histórias de Popeye publicadas no Brasil entre as décadas de 1970 e 1980, em sua maioria, foram produzidas por Bud Sagendorf, um ex-assistente do autor.

Sagendorf foi dos responsáveis por dar seqüência ao trabalho de Segar, e o que cumpriu melhor essa missão: seu desenho era mais expressivo que o do próprio Segar. Mas quando o assunto era a narrativa e a originalidade, não tinha como competir.

É interessante notar que, ao contrário dos desenhos animados, nas HQs de Segar o marinheiro Popeye não apela toda hora para o espinafre para resolver qualquer encrenca. Na verdade, ele é fã do vegetal e o come constantemente, mantendo-se sempre forte.

O antagonista Brutus nem sequer aparece nestas primeiras aventuras. A partir de uma ponta nos quadrinhos daquela época, ele ganharia fama especialmente graças à animação, voltando posteriormente a ser destaque nos quadrinhos.

O notório neste álbum é a maneira como Segar trabalhava as tiras: habilmente, ele tecia um grande roteiro, em tramas longas, sempre com ganchos para as aventuras seguintes. Grande fã de cinema, tinha uma narrativa próxima à da telona, e até criava elencos para apresentar em suas histórias. Ainda que nem todas as suas tiras finalizassem com uma gag, sabia perfeitamente o momento de encaixar uma boa piada.

É difícil, além de ser uma injustiça com qualquer autor, analisar HQs fora do contexto de sua época. Muitas piadas, insinuações, situações e homenagens perdem parte de seu entendimento. Para dissecar e explicar o enorme sucesso que Popeye fez nas décadas de 1930 e 1940, seria preciso mais que apenas ler este álbum: seria necessária uma análise histórica.

De todo modo, vale uma rápida recapitulação: Elzie Crisler Segar nasceu em 1894, em Chester, Illinois. Ainda jovem, trabalhou no cinema local. Em 1916, em Chicago, teria sido entrevistado por R. F. Outcault (criador do Yellow Kid) e conseguiu emprego no jornal Chicago Herald. Trabalhou numa tira que tinha Charles Chaplin como protagonista, depois em algumas outras, até que no ano de 1919, no Evening Journal, de Nova York, publicou a série Thimble Theatre.

A tira foi um grande sucesso. Tinha como protagonistas Ham Gravy, Olive Oyl (Olívia Palito), Castor Oyl (irmão de Olívia, um malandro encrenqueiro de marca maior, fanático por jogatina e que fazia sucesso), Nana e Cole Oyl.

Com arcos relativamente longos, Segar constantemente apresentava novos personagens, até que chegou a vez da tira hoje clássica em que Castor pergunta para Popeye, em sua primeira aparição: “Ei, você é um marinheiro?”, e escuta como resposta “Você pensa que eu sou um caubói?”. O sucesso foi imediato e, com o tempo, o marujo passou a ser o astro principal da tira. O resto é história.

Sobre este álbum da L&PM, as tiras apresentadas englobam dois arcos. Em O Rei de Nazília, Popeye tenta ajudar o Rei Blozo na administração de seu reino. Ainda que tenha boas intenções, as sugestões do marinheiro acabam por provocar grandes encrencas.

Em determinado momento, surge um rival que quer dar um golpe e governar Nazília. Popeye propõe eleições diretas e, de maneira hilária e nada ética, passa a cooptar votos para Blozo.

Já em Popeye, o Rei de Popilânia, o marinheiro compra uma ilha e funda uma nação. No local há duas tribos selvagens, dos homens- barbudos (os Jojôs) e das mulheres-selvagens. Popeye cria um exército com dois homens e coloca Dudu como comandante. Mais confusões à vista.

Um momento impagável é quando o “Rei” Popeye decide realizar o próprio casamento com Olívia Palito, como você confere clicando abaixo.

Tira de Popeye 60 anosTira de Popeye 60 anos

Uma curiosidade presente em quase todos os textos sobre o assunto, mas que vale registro: Segar assinava suas tiras com um charuto aceso, pois seu nome tinha pronúncia similar à palavra cigar (charuto).

O álbum conta ainda com uma introdução cheia de curiosidades sobre Popeye e uma pequena biografia de Segar, ambos assinados pelo jornalista gaúcho Goida.

Resumindo: uma edição imperdível para colecionadores, estudiosos ou apaixonados pelo assunto.

Pena que a L&PM não aposte mais neste tipo de publicação, verdadeiro resgate histórico de uma época importante, em que os comics eram um dos grandes destaques da cultura de entretenimento, concorrendo diretamente com o cinema em apelo popular.

Para finalizar, vale lembrar que em 2002 a Opera Graphica publicou uma edição com Popeye, na coleção Opera King, por Tom Sims e Bill Zaboly.

Classificação:

4,5

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