PYONGYANG – UMA VIAGEM À CORÉIA DO NORTE

Por Eduardo Nasi
Data: 1 dezembro, 2007

Título: PYONGYANG – UMA VIAGEM À CORÉIA DO NORTE (Zarabatana
Books
) – Edição especial

Autor: Guy Delisle (texto e arte).

Preço: R$ 35,00

Número de páginas: 192

Data de lançamento: Setembro de 2007

Sinopse: Nesta HQ autobiográfica, o canadense Guy Delisle retrata a temporada que passou na Coréia do Norte como supervisor de animação. Lá, faz descobertas sobre a vida no país mais fechado do mundo.

Positivo/Negativo: A despeito das obras de Karl Marx, os regimes comunistas implantados de fato no mundo ficaram muito distantes do sistema igualitário proposto pelo intelectual alemão. Na vida real, como bem se sabe, se tornaram governos comandados pelos PCs, em que poucos privilegiados tinham luxo e ostentação à custa da pobreza alheia, da censura oficial, de campos de prisioneiros e de uma dose monstruosa de mentiras deslavadas.

A Coréia do Norte é um dos mais notáveis exemplos da falta de caráter dos ditadores vermelhos, algo que é denunciado com rigor por Delisle em Pyongyang a partir de sua própria jornada de dois meses pelo país.

Seu testemunho é forte pelo que viu: uma cidade que não tem energia para iluminar nada a não ser seus monumentos à decadência, uma TV estatal monocórdica que rouba programas de redes internacionais, uma lista de itens proibidos que incluem celulares e rádios, um museu construído com objetos de mentiras.

Mas também pelo que não viu: as auto-estradas não têm acesso aos vilarejos e há várias áreas em que os visitantes são proibidos de freqüentar.

E pelo que ficou subentendido: os supostos voluntários (pareciam escravos), os hipotéticos campos de concentração (divulgados à boca pequena para fazer terrorismo psicológico com o povo), a estranha e lenta obra da Ópera.

Ao representar seus dois meses, Delisle usa o lápis: escuro, sombrio, como a cidade e o regime.

Pyongyang, o livro, é um monumento à lucidez construído a partir das trevas que imperam em Pyongyang, a cidade. E nessas trevas, a carência de energia é o menor dos problemas.

Classificação:

4,0

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