Quer dançar?

Por Audaci Junior
Data: 4 outubro, 2013

Quer dançar?Editora: Independente – Edição especial

Autor: Guilherme de Sousa (roteiro e desenhos).

Preço: R$ 10,00

Número de páginas: 32

Data de lançamento: Agosto de 2013

Sinopse

Um simples convite para dançar é o suficiente para dar início a uma sequência de eventos de proporções inimagináveis.

Positivo/Negativo

É indiscutível a universalidade das histórias em quadrinhos quando sua narrativa não apresenta texto. Mas até que ponto ela pode se tornar sólida e pertinente para uma única trama?

Quer Dançar? tem um bom fio condutor. No enlace do flerte, um homem tira uma mulher para “sacolejar o esqueleto” no salão. Gradativamente, Guilherme de Sousa mostra com seu estilo, que exercita como ilustrador de livros infantis e em produções de animação, as consequências de uma noitada, culminando em algo próximo ao Apocalipse.

Duas referências fortes podem ser vistas na sua breve narrativa: o ambiente de metrópoles como Nova York, que tem uma imensa rede de esgotos com sua mitologia, e sua homenagem ao cinema de ficção científica e literatura pulp, como a franquia Planeta dos Macacos e Tarzan, apesar de não haver nenhum primata no enredo.

Contar mais pode estragar toda a ideia cômica e niilista da HQ, que, mesmo não usando texto, aproveita o uso dos balões para colocar signos que identifiquem uma “fala”.

Outro bom momento se encontra nas páginas 20 e 21, quando a evolução de um ser acompanha o crescimento da cidade, evidenciando a passagem do tempo.

Com uma pitada de erotismo e violência, o autor ainda faz menção aos primórdios da humanidade, como a linguagem rupestre das pinturas nas cavernas (a primeira noção de algo próximo à história em quadrinhos), artistas como Michelangelo, Da Vinci, Picasso e Tarsila do Amaral, e aos ícones pop como Beatles e o Superman.

Sem se tornar complexa ou ousar na sua estrutura, esta HQ independente diverte e entretém, mas não vai além disso. O que faz voltar à indagação do começo desta resenha.

Quer Dançar? acaba sendo apenas um exercício frente a exemplos da narrativa “muda” de nomes como o brasileiro Gustavo Duarte (Monstros!) e o francês Winshluss (Pinóquio). Ainda assim, é um bom “cartão de visitas” para mostrar o que Guilherme de Sousa tem potencial para fazer.

Classificação

3,0

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