Ranxerox

Por André Sollitto
Data: 18 fevereiro, 2011

RanxeroxEditora: Conrad – Edição especial

Autores: Stefano Tamburini, (roteiro e arte), Alain Chabat (roteiro) e Tanino Liberatore (arte).

Preço: R$ 49,90

Número de páginas: 192

Data de lançamento: Agosto de 2010

Sinopse

Álbum que compila todas as histórias de Ranxerox, um robô que vive em uma cidade dividida em níveis e é apaixonado pela adolescente Lubna.

Positivo/Negativo

Ranxerox é uma HQ que reflete o tempo no qual foi criada. No final dos anos 1970, muita coisa estava acontecendo. Na música, o rock virtuoso de bandas como Led Zeppelin e Deep Purple perdia espaço para o punk, um estilo mais simples, agressivo e feito por jovens que não sabiam tocar mais rápido que qualquer um, mas tinha uma vontade imensa de fazer música. Eles chocavam pela maneira de se vestir e pelas atitudes.

Na Itália, terra dos criadores da HQ, a juventude lutava nas ruas contra as novas regras mais rígidas para os exames estabelecidas pelo Ministério da Educação. A diretriz serviu como desculpa para os jovens canalizarem toda a insatisfação contra qualquer símbolo de autoridade.

Rank Xerox surgiu justamente nesse cenário conturbado. Sua primeira aparição foi nas páginas da revista Cannibale, idealizada por Stefano Tamburini para rir e criticar as autoridades. O personagem, cujo nome teve de ser modificado devido a um pedido da empresa que fabrica máquinas copiadoras, era um androide criado por um “studelinquente”.

Ele vive em uma sociedade dividida em níveis, na qual os mais altos, como o 30º, eram ocupados por seres desprezíveis. Ranxerox usa drogas, ouve punk e namora Lubna, uma ninfomaníaca e viciada de 12 anos.

Ou seja, Tamburini reuniu um punhado de temas controversos em uma única HQ.

No início, o autor escrevia e desenhava tudo. Seu traço era simples, caricato em alguns momentos, mas já havia estabelecido o padrão das histórias seguintes: muita violência e sexo, com imagens explícitas de cabeças explodindo e pedofilia. Ranxerox cometia vários delitos, mas era carismático e tinha um quê de herói, como os adolescentes italianos revoltados.

Mais tarde, as histórias do robô ganharam ainda mais força com o traço hiper-realista de Tanino Liberatore. A série ganhou cores e ainda mais sexo, violência e drogas. E havia diversas referências à cultura pop, especialmente ao mundo da música. Os personagens ouvem Ramones, Devo, Joy Division e Rolling Stones.

Não à toa, a criação de Tamburini influenciou diversas outras HQs e até cineastas como Quentin Tarantino, famoso pelos filmes recheados de cenas de violência e referências visuais e musicais.

Como Sid Vicious, o polêmico baixista do Sex Pistols, que viveu apenas até os 21 anos, mas deixou um legado atualíssimo até hoje, Ranxerox teve vida curta, mas grande impacto no mundo dos quadrinhos. Foram apenas oito histórias, sendo que a última permaneceu inédita durante 11 anos (de 1986, quando Tamburini morreu, até 1997, quando foi finalizada pelo roteirista francês Alain Chabat).

Hoje, a violência e o sexo estão em centenas de HQs. Seja em publicações como The Boys – O nome do jogo, polêmica série de Garth Ennis, seja em uma aventura do Batman – mesmo que mais “mascarados”.

A edição nacional está caprichada. Com acabamento de luxo e tamanho gigante, é um verdadeiro item de colecionador. Além de reunir todas as HQs, traz um texto introdutório do editor Rogério de Campos sobre a criação do herói e vários esboços de Liberatore. Indispensável.

Classificação

4,5

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