Raul

Por Gustavo Nogueira
Data: 27 abril, 2018

RaulEditora: Elefante – Edição especial

Autor: Alexandre de Maio (roteiro e desenhos).

Preço: R$ 40,00

Número de páginas: 176

Data de lançamento: Março de 2018

Sinopse

Rafa cresceu na Baixada Glicério, região central de São Paulo, e desde criança teve contato com o crime. Depois de cometer alguns assaltos e quase ser morto pela polícia, resolveu correr menos riscos e ganhar mais dinheiro. Tornou-se um “raul” — gíria para se referir aos criminosos que aplicam golpes de cartão dentro das agências bancárias.

Em meio a isso, Rafa inicia uma carreira como rapper.

Positivo/Negativo

A realidade do crime no Brasil é retratada em diversas mídias a todo momento. Vê-se no cinema e nos jornais visões diferentes sobre a mesma temática. No jornalismo em quadrinhos, é possível ter um encontro entre arte e jornalismo, criando uma visão ainda mais única do tema retratado.

De Maio é um grande nome do jornalismo em quadrinhos nacional. Seu trabalho já foi visto em diversos sites e livros produzidos em parceria com outros autores. Raul marca a sua estreia em publicação solo. E em grande estilo.

Todos os nomes da obra são ficcionais, mas a história é bem real. É a realidade de um jovem que vê o crime como sua melhor opção, seja pelas dificuldades que a vida lhe traz, seja pela cobiça. Rafa é bem real e representa tantos brasileiros, com seus sonhos de grandeza e suas quedas.

Diversos personagens não possuem rosto no álbum, porque o autor mostra que, neste caso, não é necessário mostrar faces, mas sim contar a história. Com estratégia, é transmitida a mensagem de que Rafa pode ser qualquer um, e isso auxilia na criação da empatia do leitor com o protagonista.

A história é contada da infância à vida adulta do personagem principal. É bem conduzida, com direito a curtos respiros que ajudam o leitor a voltar com mais fôlego à trama principal. A HQ se permite a explicar de forma quase didática como são feitos os golpes de cartão feitos pelos “Rauls”, mas isso é apresentado de forma organizada, sem perder o ritmo da narrativa.

E, na sequência em que Rafa envereda para o lado da música, o autor conseguiu transmitir bem a dúvida do protagonista entre segur na carreira honesta no rap ou retornar à vida “fácil”do crime. O mesmo vale para as idas e vindas da cadeira, mostrando como é frágil nosso sistema prisional.

A arte de Alexandre De Maio é totalmente em preto e branco, mas trabalhada de forma não convencional: os cenários e personagens ora têm contornos pretos, ora brancos, trazendo uma estética bonita para a obra.

O trabalho de edição da estreante (nos quadrinhos) Elefante é bom, mas passaram alguns erros de revisão. Fica a dica para uma possível reimpressão.

A produção de jornalismo em quadrinhos ainda é pequena no Brasil, mas esta belíssima obra deve servir de referência para novos trabalhos na área. Porque mostra um recorte necessário e importante para entendermos uma das tantas facetas obscuras do nosso país.

E, como diz Emicida na contracapa do livro: “Joe Sacco é o De Maio dos gringos.”

Classificação:

4,5

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• Outros artigos escritos por

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  • ARQUEIRO VESGO

    Putzz… “criar empatia com criminoso”. É o brasileiro sempre glamorizando a bandidagem. Tô fora (o meu dinheiro essa bagaça não leva)!!!

  • silas.

    Uau, sério mesmo, Emicida?! Vou ter que conferir isso aí!