Recruta Zero – Os Anos Dourados

Por Sidney Gusman
Data: 24 fevereiro, 2012

Recruta Zero - Os Anos DouradosEditora: Kalaco – Edição especial

Autor: Mort Walker (texto e arte).

Preço: R$ 89,00

Número de páginas: 120

Data de lançamento: Outubro de 2011

Sinopse

Álbum de luxo, em capa dura, que reúne todas as tiras diárias do Recruta Zero publicadas nos anos de 1952 e 1953.

Positivo/Negativo

Em outubro de 2006, a Opera Graphica lançou Recruta Zero – Ano um, com o primeiro volume de tiras e páginas dominicais da principal criação de Mort Walker.

Na época, Marcelo Naranjo terminou sua resenha da obra assim: “Fica a espera ansiosa pelo Recruta em seu Ano 2. Quem sabe?”. Demorou cinco anos, mas o pedido foi atendido, agora pela Kalaco. E com sobras, pois este álbum gigante (26 x 36 cm) reúne as tiras de 1952 e 1953 do mais atrapalhado soldado do exército dos Estados Unidos.

Nesse período, o pessoal da turma do Quartel Swampy (a fictícia base de treinamentos do exército norte-americano) vivia divertidas situações enquanto eram treinados para serem enviados à Guerra da Coreia, no período da Guerra Fria.

É bem verdade que as tiras ainda estavam longe do humor que consagraria a série tempos depois. No entanto, a chance de acompanhar o desenvolvimento dos personagens é um presente para os fãs.

O traço de Mort Walker, por exemplo, ainda estava longe das formas arredondadas que se tornaram famosas no mundo todo. O Sargento Tainha, por exemplo, era muito mais mal-encarado.

Vale notar também que, naquele início da década de 1950, o recruta mais próximo de Zero era o paquerador Quindim – até por isso, há uma repetição quase cansativa de piadas sobre o assédio às garotas. O abobado Dentinho apenas começava a conquistar seu espaço. O mesmo vale para o malandro Cosme, que só dá as caras no final da edição.

O Recruta Zero também estrelava sequências fora do Quartel Swampy, ao lado da família e da namorada Rita. Numa delas, ao ser posto contra a parede para casar-se com a moça, diz estar numa dúvida que hoje deixaria de cabelos em pé os defensores do politicamente correto: ele se questiona se é melhor pular da ponte ou dar tiro na cabeça para escapar de destino tão cruel.

Outra tira que mostra bem o espírito despreocupado da tira é a que traz o Sargento Tainha incentiva Zero a ler e estudar bastante, pois “homem que pensa vai pra
frente”. E, no ultimo quadro, o oficial está lendo um gibi.

No aspecto editorial, a Kalaco só vacila na revisão. Há alguns escorregões como “superfulo”, em vez de supérfluo (p. 84); “levantar a moral” no lugar do correto “o moral” (p. 75 e 91); “dependuras”, quando o certo seria “dependuradas” (p. 96); e outros.

A editora também poderia ter mais cuidado na adaptação do texto de uma ou outra tira. Na página 104, por exemplo, Dentinho acha algo perto do depósito de munições e pergunta a Tainha o que é. A resposta: é uma mina. Então, o recruta a joga sobre o sargento porque ele “disse que era dele”.

Evidentemente, a piada faz sentido em inglês, pois “mine” tem o sentido tanto de mina quanto de minha. Mas, em português, precisaria de uma adaptação ou de uma nota editorial. Inclusive para o leitor que não lê ou entende inglês.

Apesar desses erros pontuais, a Kalaco merece elogios por apostar no resgate de personagens como Recruta Zero, Fantasma e Flash Gordon. Num momento tão bom para o mercado de quadrinhos, isso é fundamental para que os leitores tenham acesso também a materiais que fazem por merecer o adjetivo “clássicos”.

Classificação

3,0

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