Relative Heroes

Por Marcus Vinicius de Medeiros
Data: 26 setembro, 2014

Relative Heroes # 1Editora: DC Comics – Minissérie em seis edições

Autores: Devin K. Grayson (roteiro), Yvel Guichet (desenhos), Aaron Sowd (arte-final) e Rob Schwager (cores e separações).

Preço: US$ 2,50 (cada uma)

Número de páginas: 32 (cada uma)

Data de lançamento: Março a Agosto de 2000

Sinopse

Cinco jovens decidem entrar em ação após a morte dos pais e cair na estrada rumo a Metrópolis. Eles são os Weinberg, e sua aventura começa agora!

Positivo/Negativo

A promissora minissérie Relative Heroes, publicada em 2000, surgiu da oportunidade por parte da DC Comics de aproveitar melhor o talento da roteirista Devin K. Grayson, na época uma estrela em ascensão, na criação de conceitos únicos.

Já conhecida pelo trabalho em títulos como Mulher-Gato e Novos Titãs, ela enfim poderia apresentar seus próprios personagens, livres de cronologia ou caracterizações pregressas.

Assim, foi atendendo à sugestão do então editor Jordan B. Gorfinken, relutante de início, que a autora aceitou o desafio de acrescentar mais um grupo de jovens heróis fantasiados às fileiras do Universo DC. E claro que a única certeza – dela e dos fãs – é que não seria a equipe tradicional de justiceiros mirins.

Assim, a ideia surgiu naturalmente: seus poderes são seu problema. Os complexos Weinberg iniciam seu caminho após uma grande perda, cheios de personalidades diferenciadas e com muito a dizer, na contramão de tendências esperadas e evidenciando o talento de Devin.

A história, sobretudo, lida com metáforas e alegorias para falar de tragédia e amadurecimento, com muito humor no processo.

Os Weinberg são: Houston, o “líder” sem poderes, mas fanático por histórias em quadrinhos; a caçula Temper, elétrica como seu temperamento; Blindside, o irmão adotivo afrodescendente que pode se tornar invisível, exatamente como ele se sente a maior parte do tempo; Omni, primo distante que pode absorver a capacidade de todos a sua volta; e Allure, a babá de Temper, uma bela loira que faz qualquer homem se apaixonar por ela.

O ponto de partida é justamente a morte de seus pais, e aí entra o cerne da obra. Tentando negar seus sentimentos, os garotos revelam o que é crescer num mundo cheio de super-heróis.

Houston de imediato decide que eles “tiveram uma origem”, e decide que deviam partir num Winnebago para Metrópolis, cruzar o caminho do Superman e debutar na carreira super-heroica.

Devin Grayson é uma autora que gosta de mostrar como as situações passam de um “ponto A” para um “ponto B”, sem perder o foco, pois o importante é a jornada. Trabalhando com personagens próprios, a qualidade ganha força.

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Cada edição é narrada por um personagem diferente, abrindo espaço para as boas caracterizações e diálogos típicos da escritora.

Há a abertura do ponto de vista de Houston, seguida por um devaneio sobre contos de fadas, na mente de Allure, na segunda edição, em que a musa acaba como alvo dos interesses amorosos de um deus mitológico, que muda os rumos da família.

Tudo pode acontecer em Relative Heroes, de uma participação do velocista Impulso a agentes do D.O.E. e a possibilidade de uma invasão alienígena ligada ao primo Omni.

Passando por Opal City e Blüdhaven, não há descanso para esses improváveis novos heróis. Leitores acostumados a títulos como Novos Titãs, Legião dos Super-Heróis e Quarteto Fantástico têm tudo para curtir a história dos Weinberg, por seu clima leve e suas questões provocativas na medida certa. É pena que a série não tenha atingido um público mais amplo, enfim.

Relative Heroes ficou apenas nas seis edições da minissérie, mais uma história curta em Batman Chronicles, também assinada por Devin Grayson, mostrando o encontro com a Mulher-Gato.

A enorme base de fãs da DC não respondeu bem à proposta, apesar da cobertura da imprensa especializada, que chegou a definir a obra como uma mescla do seriado televisivo Party of five com X-Men.

Vale dizer que, além do texto afiado, a série contou com arte de Yvel Guichet, finalmente bem aproveitado e muito à vontade com os protagonistas. Também pudera, Devin sabe explorar a contento o melhor de seus artistas, elevando o nível de cada colaboração.

Hoje relegados ao limbo dos personagens esquecidos, os Weinberg permanecem como síntese de potencial pouco aproveitado, pelas mãos de criadores versáteis num mundo que não estava preparado para eles.

Se o público reclama da mesmice nos quadrinhos de super-heróis, também reluta em tentar sair da rotina. Grayson e Guichet, enfim, fizeram a sua parte.

Classificação

4,0

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