Richard Stark’s Parker – Book 1 – The Hunter

Por Delfin
Data: 29 janeiro, 2010

Richard Stark's Parker - Book 1 - The HunterEditora: IDW Publishing – Edição especial

Autor: Darwyn Cooke (texto e arte).

Preço: US$ 24.99

Número de páginas: 144

Data de lançamento: Julho de 2009

Sinopse

Nova York, 1962. Um homem bruto, desprovido de recursos materiais, chega à cidade em busca de vingança. E do dinheiro que lhe foi tomado.

Positivo/Negativo

Donald Westlake foi um jovem muito produtivo quanto à escrita. Quanto mais escrevia, porém, mais era rejeitado pela editoras. Em seu currículo, ultrapassou duzentos nãos antes de vender o seu primeiro conto, em 1954. A partir daí, se dedicou à produção literária.

Em 1960, ele já era um escritor que ocupava todo o seu tempo neste ofício. Mas a quantidade de sua produção era maior do que as revistas poderiam abrigar. Para driblar este problema, Westlake encontrou uma solução fácil e que lhe pareceu cômoda: começou a escrever sob pseudônimos. Vários. Foi assim que nasceu Richard Stark, o mais famoso deles. E também a grande criação de sua carreira: Parker.

O primeiro romance deste personagem, um protagonista com suas próprias definições de moral, caráter e justiça, foi publicado em 1962: The Hunter (no Brasil, À queima-roupa). Até 1974 foram mais 20 livros – Westlake reassumiu o pseudônimo e o brutal personagem em 1997.

Este livro inicial, inclusive, foi adaptado duas vezes para o cinema, em 1967 (À queima-roupa, com Lee Marvin) e 1999 (O troco, com Mel Gibson). Mas é interessante notar que, nesses filmes, o protagonista se chamou, respectivamente, Walker e Porter. De fato, em nenhuma das adaptações para qualquer meio de comunicação Westlake autorizou o uso do nome correto de sua maior criação.

E, então, veio Darwyn Cooke.

Desde a sua estreia nas HQs, com Batman – Ego (publicada no Brasil pela Mythos), Cooke já dizia a que veio. Egresso da animação, é um dos criadores atuais que mais possui respeito pelos trabalhos clássicos de quadrinhos e pela literatura do período da Era de Prata. Com ênfase nos materiais policiais, sua verdadeira predileção.

Após trabalhar com Batman, Spirit, Mulher-Gato e imprimir sua assinatura definitiva no mundo dos quadrinhos com DC: A Nova Fronteira, Cooke partiu para um projeto pessoal: adaptar quatro livros da série policial Parker. E, diferentemente dos que tentaram antes, resolveu trabalhar no projeto diretamente com Donald Westlake, com quem tinha contato constante.

Os dois trocavam informações à medida que o projeto caminhava e, impressionado com a fidelidade e a qualidade do trabalho de Cooke, Westlake autorizou, pela primeira vez, o uso do nome Parker em uma obra derivada. Daí o nome constar em letras garrafais na capa do álbum.

Westlake, no entanto, morreu no último dia de 2008, no México, em decorrência de uma parada cardíaca, e não chegou a ver a obra de Darwyn Cooke pronta. Mas ele certamente teria orgulho dela. Porque esta HQ possui sua própria identidade e méritos todos seus.

O primeiro acerto de Cooke é ambientar sua obra na mesma época em que a original acontece. Nada mais natural para o artista que é dono do traço mais elegante dos quadrinhos norte-americanos de massa da atualidade. Seus personagens parecem nascidos para viver os anos 1950 e 1960. Homens de terno, mulheres elegantes (mesmo as prostitutas), cigarros, carrões, cenários urbanos em expansão, casas com arquitetura moderna e uma vida sem as complicações da tecnologia. Um passado em que o leitor gostaria de estar.

Outro fator que faz com que o leitor não desgrude da história é seu ritmo incessante de ação, um mérito de Westlake que Cooke transpôs à perfeição no álbum. Sempre está acontecendo algo, por mínimo que seja.

E quase sempre isto é obra de Parker, personagem muito intenso que se utiliza de quaisquer meios para atingir os seus objetivos, não importando quem se machuque, se prejudique ou morra durante o processo.

As cores merecem muito destaque. Sem o seu colaborador habitual, Dave Stevens, Darwyn Cooke impressiona. É uma história pesada e o uso de apenas dois tons (o preto azulado e um, digamos, azul petróleo acinzentado) enfatiza que aquilo que está acontecendo não é agradável. Mesmo quando pareça ser.

Os tons (e o modo peculiar de coloração do autor) remetem imediatamente ao submundo, à violência e ao crime, como se tudo estivesse à espreita. Aliás, ao contrário do que muitos pensam, o vermelho não é a cor que mais denota o crime: é chamativa demais para quem precisa ficar sempre à margem ou à espreita, discreto.

O uso de grandes manchas de preto em favor da ausência dos contornos dos quadros tradicionais de quadrinhos (que permanecem lá, no entanto) apenas reforça a sensação de prisão que o leitor tem. Tanto no sentido de não conseguir se livrar da história em si, como no de não conseguir tirar Parker de seu encalço. Pois ele é o tipo de personagem que todos, no fundo, temem que um dia esteja à sua espera.

A edição da IDW, em papel amarelado e capa dura, reforça a ideia de que o material está destinado a se tornar um clássico. É um livro muito bem acabado graficamente, impresso na Coreia do Sul, coisa a que se começa acostumar em publicações especiais da editora. E os leitores responderam com entusiasmo: a tiragem inicial se esgotou em um mês nos Estados Unidos.

Trata-se de um grande romance policial, um dos melhores já vistos em formato de quadrinhos. E ainda restam mais três por vir. O próximo sai no verão norte-americano, provavelmente em junho de 2010. E honra a memória de Westlake, que, como Cooke desconfia em sua dedicatória, conhecia sua persona Richard Stark bem até demais.

Classificação

5,0

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