Sabor Brasilis

Por Lielson Zeni
Data: 15 fevereiro, 2013

Sabor BrasilisEditora: Zarabatana – Edição especial

Autores: Pablo Casado e Hector Lima (roteiro) e Felipe Cunha e George Schall (arte).

Preço: R$ 45,00

Número de páginas: 128

Data de lançamento: Janeiro de 2013

Sinopse

Acompanhe o dia a dia da equipe de roteiristas da telenovela Sabor Brasilis, que está em seus tensos momentos finais.

Positivo/Negativo

O que define o “brasileiro”? Qual é a marca reconhecível de algo inquestionavelmente tupiniquim?

Com certo ranço da ditadura militar que assolou nosso país há poucas décadas, ainda há quem procure se agarrar na ideia de “futebol moleque”, uma ginga e até mesmo transformar um problema ético em virtude: o “jeitinho brasileiro”.

Debaixo dessa série de clichês, se esconde alguns aspectos que podemos identificar como “coisa de brasileiro”. Concentrando os esforços em busca das melhores, existem alguns hábitos que, mesmo que não seja coisa de todo brasileiro, conseguimos reconhecer como parte de nosso cotidiano.

O futebol, por exemplo. Não precisa gostar, ser um torcedor entusiasmado ou saber a escalação inteirinha da seleção de 1970 pra perceber que esse esporte é um objeto de cultura por aqui.

Também não é necessário ser um folião para perceber a abrangência do carnaval em suas múltiplas caras pelos diferentes estados, para sentir a força dessa festa nas ações e no pensamento do brasileiro.

Contam-se nos dedos os livros, peças de teatro, HQs e filmes dedicados a esses temas que não sejam pálidas caricaturas da força do original.

Existe também outro elemento (entre diversos mais) que qualquer brasileiro vai perceber como coisa típica de seu país: as telenovelas.

E, até a publicação de Sabor Brasilis, esse era mais um desses diversos elementos de cultura cotidiana que ajudam a dar essa cara que vem à mente quando se pensa em Brasil.

A deliciosa HQ do quarteto Pablo Casado, Hector Lima, Felipe Cunha e George Schall coloca o leitor no meio da reunião criativa dos roteiristas da novela de maior sucesso do momento. O desafio de qual desfecho se dará para a morte da mocinha Olívia Ribeiro, contudo, é o menor dos interesses do leitor.

As cenas das reuniões – que quem já trabalhou com roteiro em equipe vai reconhecer – são brilhantes, só superadas pelo cuidado com que cada personagem é descrito e apresentado.

A passagem com a roteirista Helena é uma verdadeira aula de como apresentar um personagem e suas dificuldades. Era de se esperar mesmo que numa HQ que tem como protagonistas os roteiristas, o roteiro fosse trabalhado com esmero. E foi.

Some-se a isso a força de reconhecimento que os leitores brasileiros encontram a cada página da HQ. Não que ela seja impossível de ser levada a outro país, mas iria precisar de algumas boas páginas de notas e referências.

Mais que citações a momentos marcantes e nomes de novelas conhecidas, há algo de essencialmente brasileiro nessa mobilização pública ao redor de um capítulo final de telenovela.

Afinal, quem matou Olívia Ribeiro?

Poucas novelas tiveram continuações no Brasil. Sabor Brasilis, mais do que valer a pena ler de novo, vale a pena ler um pouco mais.

Classificação

4,5

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