Saga – Volume 2

Por Tiago Salviatti
Data: 6 junho, 2014

Saga – Volume 2Editora: Image Comics – Edição especial

Autores: Brian K Vaughan (roteiro) e Fiona Staples (arte) – Originalmente publicado em Saga # 7 a # 12.

Preço: US$14,99

Número de páginas: 144

Data de lançamento: Julho de 2013.

Sinopse

Continuando de onde parou no primeiro volume, a história segue as desventuras do casal Marko e Alana para proteger a recém-nascida Hazel de assassinos perigosos, monstruosidades alienígenas e exércitos em guerra em meio a vastidão do espaço. E eles descobrem que nenhuma dessas ameaças é tão difícil quanto criar uma criança…

Positivo/Negativo

Existe algo bastante peculiar e interessante na condução dos roteiros e ambientação que Brian K. Vaughan faz em Saga, que chegará ao Brasil pela Devir.

Ao mesmo tempo em que há algo familiar (como a aparência de Marko, que lembra a de Yorick Brown, de Y – O último homem; a personalidade do Príncipe Robô IV, que remete ao prefeito Hundred de Ex Machina; e mesmo a menina fantasma Izabel que se assemelha aos jovens rebeldes de Runaways), isso dá bastante espaço para o desenvolvimento e cadência da história e relações dos personagens.

Por mais chifres, olhos e pernas (ou até a ausência de um corpo físico), eles continuam incrivelmente humanos. E aproveitando essa justaposição entre o fantástico e o mundano, o traço de Fiona Staples ganha força.

Com mestria, novos personagens são incluídos à mistura, enquanto Vaughan apresenta um talento adicional na criação de tensão e falsas pistas, conduzindo a trama para onde ela deve ir e deixando o leitor preso ao material até a página final – e, graças aos ganchos, muito além disso.

Ainda assim, é provável que este volume em particular seja mais rememorado por uma ocorrência um tanto peculiar, que incitou a censura da edição 12 (a final deste álbum) na distribuição pela Apple Store. Isso aconteceu devido a algumas cenas de teor sexual, que para qualquer leitor que acompanha a série não representa exatamente uma novidade, apesar do tom mais gráfico.

Talvez só sirva para levanta algumas perguntas sobre o sistema de classificação e censura que é cedido e imposto nos Estados Unidos. Afinal, por que são tão comuns cenas violentas em quadrinhos ou cinema (que dizer da classificação de PG13, ou 12 anos no Brasil para Batman – O Cavaleiro das Trevas, por exemplo?) e entretenimento em geral, e a nudez e o sexo causam tamanha estranheza e desconforto?

Isso remete às recentes discussões de Alan Moore sobre seu Lost Girls ou, puxando mais pela memória, ao belíssimo Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore.

Polêmicas à parte, esta é uma ótima continuação para o volume inicial, pois mantém o mesmo excelente ritmo pré-estabelecido e desenvolve cada novo aspecto e personagem de maneira que justifique, com sobra, o título.

Classificação

5,0

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