Samurai – Até o Fim do Mundo

Por André Craveiro
Data: 15 fevereiro, 2013

Samurai - Até o Fim do MundoEditora: Devir Livraria – Edição especial

Autores: Ron Marz (roteiro), Luke Ross (desenhos, arte-final e capa) e Rob Schwager e Dan Jackson (cores) – Originalmente publicado em Samurai – Heaven & Earth – Volume 2 # 1 a # 5, em 2006 e 2007.

Preço: R$ 39,90

Número de páginas: 144

Data de lançamento: Março de 2010

Sinopse

Ele cruzou metade do mundo para reencontrar sua amada, apenas para perdê-la novamente. Agora, sua jornada deve continuar.

O jovem samurai Shiro vingou a morte de seu senhor e partiu em busca de Yoshiko, seu amor perdido, atravessando a imensidão da Ásia e desvendando os mistérios da “civilizada” Europa.

O ano agora é 1705. Yoshiko está nas mãos do traiçoeiro nobre espanhol Don Miguel Ratera Aguilar, que foge desesperadamente da ira do samurai.

Para salvar sua mulher, Shiro deverá sobreviver a uma tempestade no Mediterrâneo e às areias escaldantes do Egito, invadir um harém em pleno deserto e provar seu valor nas ruínas de uma outrora gloriosa civilização.

Positivo/Negativo

Persistência.

Esse é o termo que melhor define – e se sobressai – em uma jornada repleta de condutas e valores respaldados pelo Bushidô, o código de conduta dos samurais. O protagonista Shiro, de fato, faz jus ao título deste tomo.

O guerreiro japonês demonstra uma ousadia, coragem e bravura como poucos peregrinos da ficção, arriscando de bom grado a sua vida para resgatar a mulher amada, atravessando oceanos bravios, continentes exóticos e culturas peculiares aos seus olhos.

Um verdadeiro “samurai” (em tradução livre, aquele que serve) de seu destino, com lealdade aos seus princípios e empenho moral contra tudo e contra todos. Se preciso, até as últimas circunstâncias.

Até o fim do mundo.

A longa jornada do herói asiático manteve o bom ritmo de leitura nesta continuação, com um roteiro rápido e sem alguns floreios ou passagens de tempo mal construídas que, infelizmente, não foram bem aproveitadas no primeiro volume, lançado pela mesma Devir, em 2007.

Há, sim, uma narrativa mais coesa, até mesmo direta em vários pontos, seguindo ao sabor das andanças e viagens do protagonista. O leitor simplesmente acompanha de camarote o desenrolar dos fatos, testemunhando os contrastes culturais já esperados e aguardando o satisfatório desfecho prometido desde a primeira parte da aventura.

E ele vem: certeiro, mantendo a média da narrativa, com um gancho inusitado no último quadro, que dá a entender uma possível continuação.

O ponto alto é a arte. Os desenhos do brasileiro Luke Ross se destacam pelo bom uso do volume nas construções anatômicas, cenários e objetos de cena.

Tudo muito detalhado naquilo que fica em primeiro plano, deixando um bom uso das sombras e rascunhos bem trabalhados nos cenários ao fundo, com uma boa paleta de cores bem distribuídas pelos quadros (principalmente a partir da página 112, com uma notável mudança na arte-final).

Como extras, alguns excelentes sketches e estudos de Ross para visuais, personagens e sequências da história. Além de uma diversificada galeria atribuída a diversos artistas, com suas próprias visões sobre Shiro e Yoshiko.

Apesar do preço bastante inapropriado, é uma pequena coleção que vale a conferida pela simplicidade do texto e qualidade da arte. Fica a torcida para que anunciem (logo) o terceiro capítulo.

Classificação

3,0

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