Sandman – Entes Queridos

Por Ricardo Malta Barbeira
Data: 23 junho, 2008

Sandman - Entes QueridosEditora: Conrad Editora – Edição especial

Autores: Neil Gaiman (roteiro), Marc Hempel, Richard Case, D’Israeli, Teddy Kristiansen, Glyn Dillon, Charles Vess, Dean Ormston, Kevin Nowlan (arte) e Dave McKean (capas).

Preço: R$ 94,00

Número de páginas: 360

Data de lançamento: Março de 2008

Sinopse

Quando seu filho Daniel é seqüestrado, Hippolyta Hall jura vingança ao Senhor dos Sonhos, que certa vez disse que chegaria o dia em que reclamaria para si a criança concebida em seu reino.

Transtornada pelo que pode ter acontecido ao seu filho, Hippolyta vaga pelos mundos sem plena consciência do que faz, contando apenas com a certeza de querer se vingar de Morpheus.

Com o auxílio das Fúrias, ela engendrará o sangrento ato final de uma tragédia há muito anunciada.

Positivo/Negativo

Dentre todas as grandes sagas criadas por Neil Gaiman em Sandman,Entes Queridos tem lugar de destaque tanto pela sua localização na cronologia do título, quanto pelo modo teatral extremamente dramático com que é conduzida.

Logo no início, percebe-se pelo teor do diálogo entre as Fúrias que algo importante acontecerá. O que deixa isso ainda mais evidente são as opiniões pessoais das criaturas sobre a relevância de começos e finais de histórias.

Por sinal, essa é uma questão muito pertinente à maioria das obras de Gaiman. Seja em revistas em quadrinhos ou em livros, os finais escritos por ele estão quase sempre aquém da história como um todo.

Pode-se argumentar que ao construir a trama de maneira linear e, acima de tudo, respeitando o roteiro pré-concebido, Gaiman vá amarrando as pontas soltas no decorrer do processo e faça da conclusão apenas um ponto final. No entanto, para acreditar nisto, deveria se desconsiderar o ótimo trabalho de outros escritores presentes nas duas mídias e que conseguem equilibrar inícios, meios e fins, como Alan Moore, Brad Meltzer e Greg Rucka.

Pouco após este primeiro movimento com as Fúrias, começa literalmente o tormento de Lyta Hall. Quando Daniel é raptado, a narrativa adquire uma urgência e um tom de inevitabilidade que faz com que as páginas precisem ser lidas vorazmente, pois são muitas as perguntas que se amontoam.

Quem raptou o menino e por quê? Lyta vai encontrar Morpheus e se vingar? Ela descobrirá no último instante que ele não foi o responsável? Mas será que não foi mesmo? As Bondosas vingarão o sangue derramado? Qual o papel de Desejo e Rose Walker no drama que se desenrola? A Morte chegará ao Sonhar? Delírio conseguirá achar Barnabé?

Como o próprio Gaiman afirma em um texto ao final do álbum, certas perguntas serão respondidas aqui, outras na conclusão que virá a seguir e algumas ficarão sem resposta.

Com mais de 300 páginas, Entes Queridos precisa ser lido de uma só vez. Simplesmente porque não pode ser de outro modo. Assim como um romance ou um filme que tem as doses certas de amor, angústia, dor, horror, humor e esperança, é um drama com uma verve quase intimista, que envolve personagens que o leitor considera dele.

Tudo o que acontece é decorrência do que foi mostrado nas edições anteriores de Sandman. Algo que corrobora isto é a presença dos personagens mais relevantes que fizeram parte da jornada do Lorde Moldador. Estão por lá Alex Burgess, Rose Walker, Robert Gadling, Fiddler’s Green, o Coríntio, Hippolyta e Daniel Hall, Robin Goodfellow, Lúcifer Estrela-da-Manhã, os anjos Remiel e Duma, Cluracan, Titânia, Loki, Odin, Thor, as Fúrias, os Perpétuos e tantos outros.

À sua própria maneira, cada um deles é responsável pelo que acontecerá a Morpheus. E assim como o leitor, todos sabem que não poderia ser de outro jeito.

Na arte, Marc Hempel dá as cartas, desenhando 11 dos 13 capítulos da saga. As outras duas são assinadas por Glyn Dillon, Charles Vess, Dean Ormston (capítulo seis) e Teddy Kristiansen (capítulo oito).

Como é usual em Sandman, todos os artistas conseguem ser únicos, cada um despejando narrativas e ilustrações fantásticas dentro de seu próprio estilo. Entre estes o que mais chama a atenção não é necessariamente um dos desenhistas, mas sim Dave McKean. As capas das últimas edições parecem ser o seu ápice criativo e podem ser consideradas legítimas obras de arte.

Quanto à edição da Conrad há um erro logo na capa. O nome do artista D’Israeli aparece grafado sem a última letra. Completam a obra uma introdução assinada por Frank McConnell e as Notas na Areia.

Também merece registro a insistência, desde a publicação pela editora Globo, em não traduzirem The Kindly Ones – que é o nome original da saga – literalmente como As Bondosas. A versão adotada no Brasil pode ser mais bonita e atrativa, mas é bem subjetiva se aplicada ao que de fato ocorre na história.

Entes Queridos é o nono volume de Sandman lançado pela Conrad e reúne, além de Sandman 57 a 69, uma história curta da revista Vertigo Jam # 1. Está prevista ainda para este ano a publicação de Despertar, o derradeiro encadernado da série.

Classificação

5,0

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