Sandman – Estação das Brumas

Por Ricardo Malta Barbeira
Data: 10 novembro, 2006

Sandman - Estação das BrumasEditora: Conrad Editora – Série trimestral

Autores: Neil Gaiman (roteiro), Kelley Jones, Mike Dringenberg, Matt Wagner, Malcolm Jones III, George Pratt, P. Craig Russell, Dick Giordano (arte) e Dave McKean (capas).

Preço: R$ 60,00

Número de páginas: 232

Data de lançamento: Março de 2006

Sinopse

Uma simples reunião entre irmãos faz com que Morpheus tenha que descer ao Inferno a fim de corrigir um erro que cometeu no passado longínquo.

Positivo/Negativo

Como uma de suas características principais em Sandman e em seus demais trabalhos, Neil Gaiman pega os personagens que criou, insere outros tantos mitos variados e dá a tudo uma roupagem literária permeada por tons variados de horror e fantasia.

E, como é praxe, tudo funciona em conjunto perfeitamente bem.

A trama se inicia com uma reunião entre os Perpétuos, continua com a ida de Lorde Morpheus ao Inferno, coincidindo com uma importante decisão de Lúcifer Estrela-da-Manhã, que acaba por lhe entregar a chave do lugar.

A seguir aparecem aqueles que desejam a posse da chave: Odin, Thor e Loki da mitologia nórdica; Anúbis, Bast e Bes da egípcia; e Susano-O-No-Mikoto da japonesa.

Fora estes, também dão as caras representantes da Ordem e do Caos, os demônios Azazel, Merkin e Choronzon, os anjos observadores Remiel e Duma e, por fim, Cluracan e Nuala de Faerie.

Em meio a tantos bons momentos, dois se destacam: os motivos que levam Lúcifer a pedir demissão de seu jurássico cargo e a divina escolha de seus sucessores.

Enquanto que o primeiro se encheu de tudo aquilo (a explicação sobre as almas humanas é qualquer coisa de espetacular), os segundos são jogados ao acaso em algo que não pediram e que nem sequer merecem.

Tudo se encaixa perfeitamente, e é claro que vai se desdobrar no futuro em novos caminhos nas mãos do roteirista.

Na arte, todos os desenhistas levam o texto a interpretações particulares e ótimas, mas a mais espetacular está no segundo capítulo, com Kelley Jones e Malcolm Jones III. É difícil superar o que ambos fazem, principalmente ao retratarem Morpheus e Lúcifer.

A única história “solta” da edição está no capítulo 4. Com arte de Matt Wagner, é um conto sobre as conseqüências que a falta de um inferno acarreta na Terra.

Acompanhar a curta jornada do jovem Charles Rowland é, ao mesmo tempo, instigante e aterrador.

Em Estação das Brumas, Gaiman traz o inferno um pouco mais para perto, e mostra que o livre arbítrio pode se transformar em algemas que nós mesmos nos impomos.

Em tempo: vale uma menção à introdução escrita por Harlan Ellison. Considerado um dos grandes nomes da ficção científica, foi vencedor de inúmeros prêmios HugoNebula e outros do gênero por seus contos e romances. Também trabalhou na televisão, escrevendo episódios do seriado original de Jornada nas Estrelas, além de atuar como consultor em Além da Imaginação e Babylon 5.

Classificação

5,0

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