The Sandman – Overture # 1

Por Samir Naliato
Data: 1 novembro, 2013

The Sandman - Overture # 1Editora: DC Comics – Minissérie em seis edições

Autores: Neil Gaiman (roteiro), J.H. Williams III (desenhos) e Dave Stewart (cores).

Preço: US$ 4.99

Número de páginas: 32

Data de lançamento: Outubro de 2013

Sinopse

Morpheus, o Rei dos Sonhos, tem a sensação de que algo está muito errado. Em meio às suas responsabilidades com o mundo do Sonhar e seus súditos, ele recebe um misterioso chamado. Mesmo sem saber do que se trata, mas atraído e impelido a responder a convocação, se mune de seu elmo, rubi e algibeira de areia para partir rumo a uma desconhecida jornada.

Positivo/Negativo

Sandman dispensa apresentações. É uma das mais célebres e cultuadas séries em quadrinhos de todos os tempos, o ápice do trabalho de Neil Gaiman para esta mídia. Se você tem um mínimo de interesse – ou curiosidade – a respeito da nona arte, já se deparou com a obra de alguma maneira.

Se, por acaso, é um recém-chegado, não se preocupe, pois, mais cedo do que imagina, entrará em contato com a criação de Gaiman. E essa porta de entrada pode ser justamente The Sandman – Overture, minissérie inédita que comemora os 25 anos da criação do personagem.

Este projeto deveria ter sido lançado em 2008, quando Sandman completou 20 anos. Entretanto, a negociação entre o autor e a DC Comics não evoluiu, e divergências impediram a publicação. O roteiro da história não foi escrito, mas a ideia ficou na cabeça de Gaiman. Até ambas as partes retomarem a conversa e chegarem a um acordo.

O título The Sandman foi publicado entre 1988 e 1996, quando a saga encontrou seu desfecho na edição # 75. No Brasil, saiu na íntegra pelas editoras Globo e Conrad (em encadernados) e, parcialmente, na Tudo em Quadrinhos, Brainstore, Pixel Media e Panini, que logo deve concluí-la. A Opera Graphica publicou ainda um especial com a coletânea das capas produzidas por Dave McKean.

Mas os fãs não ficaram 17 anos sem materiais inéditos. Nesse período, foram lançadas as graphic novels Sandman – Noites Sem Fim e Sandman – Caçadores de Sonhos.

Com Overture, contudo, Neil Gaiman retorna ao personagem para revelar mistérios de seu passado. No início da sua revista mensal, no final dos anos 1980, Sandman é preso por engano no lugar de sua irmã, Morte, por Morris Burgess, líder de uma fraternidade mística que pretendia se tornar imortal.

O Senhor do Sonhar estava usando vestimenta de guerra e portando místicos objetos de seu reino. Ao longo da narrativa, o autor menciona superficialmente o assunto, mas nunca realmente explicou o que Morpheus fazia quando foi confinado. Até agora.

A primeira edição desta minissérie serve basicamente como uma introdução. Ao mesmo tempo que antigos leitores reveem personagens conhecidos, os novos são introduzidos a este mundo: o trabalho de Sandman, o Reino do Sonhar, súditos como o bibliotecário Lucien, o faxineiro Merv Cabeça de Abóbora e Coríntio; e os Perpétuos Destino e Morte.

É mostrado ainda o impulso que Sandman tem ao responder um misterioso chamado. Acreditando ser uma jornada perigosa, ele se prepara adequadamente com o elmo, o rubi e a algibeira de areia, que desempenharão papel fundamental no futuro.

Curiosamente, a primeira edição lembra uma passagem do arco A casa das bonecas, na qual Sandman menciona já ter encontrado o vórtex que quase causou o fim do universo. Mas isso é pura especulação e, até agora, nada foi apresentado para corroborar essa teoria. É esperar para ver se esse é o caminho pelo qual a trama de desenrolará.

Mas a grande surpresa fica para o final, incluindo um painel de quatro páginas que pegará desprevenido mesmo aqueles que conhecem a fundo a mitologia da série. Um gancho que deixará os fãs confusos e ansiosos para ler as próximas edições, com a última página fazendo uma rima visual com a primeira.

E, por falar no painel de quatro páginas, é preciso abordar a outra metade desse projeto, que completa e traduz com perfeição as palavras que Gaiman coloca no papel. A arte de J.H. Williams III é admirável, linda em sua composição. Ele consegue criar o ambiente onírico necessário para essas histórias, e surge com alternativas inteligentes para mostrar os personagens e as diferentes dimensões e realidades.

Infelizmente, os brasileiros terão que esperar quase um ano para ler toda a minissérie, uma vez que ela terá periodicidade bimestral. Mas o começo é promissor.

Os fãs ficaram acordados por muito tempo. Chegou a hora de voltar a dormir e sonhar. Que seja um bom sonho.

Classificação

5,0

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