Sandman – Prelúdios e Noturnos

Por Delfin
Data: 8 julho, 2005

Sandman - Prelúdios e NoturnosEditora: Conrad Editora – Série trimestral

Autores: Neil Gaiman (roteiro) e Sam Kieth, Mike Dringenberg e Malcolm Jones III (arte).

Preço: R$ 60,00

Número de páginas: 248 páginas

Data de lançamento: Maio de 2005

Sinopse

Em 1916, um culto ocultista inglês pretendia capturar a própria morte e, assim, ter o controle sobre o poder vital. Comandado por um homem que atende pelo nome de Magus, na madrugada do dia 10 para o dia 11 de junho daquele ano, o procedimento ritual foi executado. E encerrado assim que algo foi capturado.

Não era a morte, mas, certamente, alguém tão poderoso quanto ela.

Quando pequenas disfunções relativas ao sono são percebidas aqui e ali no mundo, percebe-se quem foi aprisionado: o próprio Mestre dos Sonhos. O planeta atravessa um período pessoal de pesadelos, guerras e incertezas.

Até que, em 1988, o filho do Magus, que continuou o trabalho árduo de tentar um pacto com a criatura aprisionada, cometeu um erro banal e quebrou o círculo mágico que prendia Sonho.

O mundo começa gradualmente a despertar. E as mudanças se fazem sentir em todo o planeta. É neste ponto que o Perpétuo, agora liberto, começa sua trilha para recuperar suas ferramentas de poder e reconstruir seu reino, outrora maravilhoso e, agora, despedaçado.

Positivo/Negativo

Nunca existiu, até a data da publicação de Sandman # 1, em 1988, um quadrinho de terror tão pungente quanto ele. Tendo a missão de construir um novo personagem a partir de um conceito tão utilizado nos quadrinhos DC, Neil Gaiman optou por uma rota diferente de todas as outras versões do Sandman. E, como o tempo mostraria, sem ignorar nenhuma delas.

Muito já se falou sobre a série. Mas o Brasil, sem dúvida, é o país fora dos Estados Unidos em que o personagem alcançou maior grau de culto. Certamente, este é um dos motivos pelos quais a Conrad decidiu lançar, pela quarta vez no país, este primeiro arco de histórias do Mestre dos Sonhos – antes, saiu pela Globo (a única editora que publicou as 75 edições do título), Tudo em Quadrinhos /Atitude / Fractal e Brainstore.

Evidente que a qualidade inegável da obra, tanto em roteiro como em arte; as numerosas referências a fatos quadrinhísticos e outras tantas escondidas em quadros isolados, sobre cultura geral; as magníficas capas do brilhante (e, à época, novato) Dave McKean; e o grande número de jovens leitores que não teve o prazer de ler a série também impulsionaram a Conrad nessa empreitada. E o resultado é a mais bela edição de Sandman já vista no mundo.

Papel de altíssima qualidade, capa dura, imagens extras, formato maior que o convencional (americano) e, por conta disso, um trabalho impecável de tratamento de imagens. Estaria excelente, mas ainda há o apelo nada desprezível do prefácio exclusivo a esta edição nacional, assinado pelo próprio Neil Gaiman. Uma bela carta de amor ao Brasil.

Sobre a história, não há muito a comentar sobre este arco que já não tenha sido completamente deslindado nos últimos 15 anos. Há de se ressaltar, olhando o material tanto tempo depois, alguns detalhes que hoje saltam aos olhos. É o caso, por exemplo, da utilização dos heróis DC Comics (à época, ainda não existia o selo Vertigo, ou seja, o Sandman de Gaiman era parte da cronologia oficial da editora), peças-chave para a conexão entre Sonho e o antagonista principal do arco, Dr. Destino.

Os heróis em questão, a Liga da Justiça, vinham sendo escritos, à época, por Keith Giffen, em sua visão bem-humorada. Gaiman conseguiu tornar aqueles que pareciam os maiores patetas do planeta em seres nada risíveis. Afinal, era uma revista de terror – e lá estava o inconfundível traço de Sam Kieth para lembrar o leitor disso. E, mesmo assim, tudo funciona muito bem.

O próprio Kieth é outro detalhe a ser observado. Com a obra toda fechada, em seus 75 episódios e alguns especiais, é patente que a visão do artista pouco teve a ver com o desenvolvimento do personagem. Tanto que, antes do fim do arco, ele saiu do projeto. No entanto, foi fundamental para caracterizar o horror da obra dali por diante.

A edição só não é perfeita, porque a Conrad – sabe-se lá por quê – escolheu uma capa do segundo arco (A Casa de Bonecas) e não do primeiro. Apesar da mancada, este é o mais belo livro em quadrinhos já impresso no Brasil, o que mostra o respeito da editora por todos os fãs da multipremiada obra do autor britânico.

Classificação

4,5

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