Sasmira – Tomo 1 – O Apelo

Por Sidney Gusman
Data: 19 dezembro, 2008
MATERIAL IMPORTADO

 

Sasmira - Tomo 1 - O ApeloEditora: Meribérica/Liber – Edição especial

Autor: Laurent Vicomte (texto e arte).

Preço: 11 euros na Europa e variável no Brasil, de acordo com o sebo onde for encontrada

Número de páginas: 56

Data de lançamento: Maio de 1998

Sinopse

Ao passar por uma rua, Stan ouve uma velha chamando seu nome em frente a um portão. Quando, intrigado, ele vai ao encontro dela, a mulher sente-se mal e murmura uma espécie de poema, mais ou menos assim:

O tempo passa, irrevocável. O momento extingue-se… Mas tu, quando reapareces e atravessas o meu sonho, teus braços são mais frescos do que a madrugada… teus olhos mais claros… Através do passado, cinjo-te na minha memória…

Em seguida, entregando um estranho anel ao rapaz, a velhinha diz “Vem, Stanislas… vem! Ainda há tempo…”, para cair morta logo depois.

Sem saber o que fazer, Stan procura pelos documentos da mulher, mas nada feito. Só encontra um par de óculos, algumas moedas e uma foto muito antiga. No entanto, nasce uma obsessão por descobrir como a velha sabia o seu nome; e esse sentimento o afasta da bela Bertille, com quem o jovem tem um “rolo”.

Para não perder o homem que ama, Bertille o ajuda a desvendar o mistério, ampliando a foto e descobrindo onde ela foi tirada. Quando Stan vê no retrato uma mulher lindíssima e de olhar enigmático sente uma energia inexplicável que o impulsiona para solucionar esse mistério.

Mas Stan não imaginava que, ao seguir o rastro da mulher da foto, iniciaria uma extraordinária viagem no tempo. Literalmente.

Positivo/Negativo

Quanto tempo um leitor é capaz de esperar pela continuação de um trabalho que o deixou com uma vontade tremenda de saber como termina aquela história? Nos mercados de revistas mensais norte-americanas, essa tolerância é muito menor se comparada aos prazos das HQs européias.

É comum no Velho Continente que o intervalo de um álbum para outro seja de dois, três, até quatro anos. Mas Vicomte passou da conta. Já faz 11 anos que este primeiro tomo deSasmira foi publicado originalmente na França, pela Les Humanoides Associés e, até hoje, nada da aguardada continuação.

Aguardada porque a história do volume de estréia é encantadora. O tema viagem no tempo, por si só, já é um chamariz e tanto, mas Vicomte tratou de achar um meio diferente de realizá-la.

Se nas 20 primeiras páginas o leitor encontra alguma semelhança com o filme Em algum lugar do passado, estrelado por Christopher Reeve, essa impressão se desfaz quando Stan e Bertille são transportados para o passado ao transarem na mansão abandonada onde foi tirada a foto misteriosa.

Detalhe: o rapaz estava com o anel que ganhara da velhinha num dos dedos e o “presente” brilhou num verde intenso enquanto o casal se amava.

O que mais atrai é que Vicomte não enrola. Logo nas páginas iniciais, Stan já é mostrado angustiado. Só depois o autor vai desvendando os porquês desse sentimento. E aí o leitor já está devidamente “fisgado”.

Também porque a arte desse francês nascido em 25 de março de 1956 é linda. Mesmo não usando recursos como páginas inteiras ou duplas, ele confere à trama uma narrativa precisa, que flui perfeitamente graças à diversificada diagramação dos quadros, às diferentes tomadas de “câmera” e ao competente trabalho de colorização.

Ao chegar à última página, é inevitável o desejo de saber como a história continuará, uma vez que o autor divulgou, no começo, que a série teria quatro álbuns. O segundo e o terceiro já estariam até batizados (La Fausse Note e Rien, respectivamente); o quarto, ainda não.

O problema é que, se Vicomte mantiver esse ritmo para dar seqüência a Sasmira (este é o nome da misteriosa mulher que aparece na foto e no final deste primeiro tomo), haverá poucos leitores vivos para conhecerem o desenrolar da trama. Afinal, a série demoraria mais de 40 anos para ser concluída. Um absurdo!

O autor já explicou em algumas entrevistas a sites franceses que o trabalho de pesquisa para as continuações era intenso, mas há informações – mais aceitáveis – de que ele teria se afastado dos quadrinhos por estar ganhando muito dinheiro em outro ofício: designer de jóias.

Pra piorar, a Meribérica/Liber faliu há alguns anos. Ou seja, os leitores portugueses e brasileiros que leram este excelente primeiro volume ainda precisam torcer para que outra editora continue a série de onde sua antecessora parou. A Asa deu seguimento a vários títulos da Meribérica, mas não há garantia de que isso se repita.

Assim, apesar da qualidade do roteiro e da arte, ficaram no ar muitas perguntas. Qual a relação de Stan e Sasmira? Por que Bertille está passando mal no passado? Quem é a velha que morre na rua? O que a enigmática dona da casa, que descobre o jovem casal viajante do tempo, realmente sabe sobre o que se passou no futuro?

As respostas podem nunca vir. Resta a cada pessoa que se encantou com a obra imaginar o desfecho ou torcer para que Vicomte se lembre do título deste primeiro tomo e ouça O Apelode tantos leitores para que Sasmira continue. E que todos possam conhecer seu final… sem precisar viajar no tempo.

Classificação

5,0

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