Savana de Pedra

Por Isabelle Felix
Data: 10 novembro, 2017

Savana de PedraEditora: Astral Cultural – Edição especial

Autores: Felipe Castilho (roteiro) e Wagner Willian e Tainan Rocha (arte).

Preço: R$ 34,90

Número de páginas: 40

Data de lançamento: Dezembro de 2016

Sinopse

Um garoto ocupando uma escola, lutando por sua educação.

Um policial militar toma um café pra sair e trabalhar. Ele abraça, armado, seu filho e segue em patrulha para a escola.

E, numa savana, um lugar em que não há como se esconder, um filhote de antílope se afasta do seu grupo e uma onça o caça.

Três narrativas, uma ligada à outra. Cada uma falando do seu filhote sendo caçado.

Positivo/Negativo

Em 2016, o nosso atual governo queria aprovar a PEC 241. Ela visava dar um teto para os gastos públicos que duraria 20 anos. Com isso, várias escolas públicas foram ocupadas por alunos que queriam garantir a qualidade do seu ensino, pois sabiam que, caso ela fosse aprovada, diminuíram os investimentos na educação.

Savana de pedra é uma obra pesada, que trata de um fato importante na história recente do Brasil. A tensão acompanha toda a narrativa e cada virar de página é uma respiração presa, de tão agoniante que é seu desenrolar. E ela é justa. Não mostra apenas dois lados de uma moeda, mas três ou mais. É sempre importante mostrar que há alternativas para todas as situações.

A HQ ainda traz, no final, uma mensagem poderosa, incômoda e verdadeira. Infelizmente, saber o que acontece no nosso subúrbio e como está a educação pública do Brasil não é do interesse do brasileiro médio, pois não é “verde e amarelo” o bastante.

Para contar as três histórias que se desenrolam simultaneamente, há duas artes bem distintas. A nervosa e hachurada de Tainan Rocha, muitas vezes disforme, solta e estilizada, dá um peso incômodo às cenas. E a bela, com linhas delicadas e aquarelas, de Wagner, para mostrar a bonita e perigosa savana, numa espécie de ensaio fotográfico.

É interessante quando os quadrinhos marcam momentos históricos brasileiros. Ainda mais os recentes, mas que parecem ter ocorrido há tanto tempo. Afinal, com o distanciamento, pode-se refletir melhor sobre os fatos e a sua importância.

A edição de Savana de Pedra é caprichada, mas é estranho ter saído sem o selo da Astral Cultural na capa – o crédito só aparece no expediente, no miolo. Tanto que muitos leitores, incluindo esta resenhista, achavam que tratava-se de uma HQ independente.

E vale ressaltar que a obra foi uma das dez finalistas ao troféu Jabuti , na estreante categoria História em quadrinhos.

Classificação:

4,0

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