Scarface

Por Milena Azevedo
Data: 18 janeiro, 2013

ScarfaceEditora: Globo Livros – Edição especial

Autor: Christian de Metter (roteiro e arte) – adaptação do romance homônimo de Armitage Trail.

Preço: R$ 34,00

Número de páginas: 112

Data de lançamento: Abril de 2012

Sinopse

Graphic novel que retrata os dias de glórias de Tony Camonte, o Scarface, um gângster ítalo-americano inspirado em Al Capone.

Positivo/Negativo

Alguns bandidos mais espertos entenderam que se o crime passasse a ser organizado seria mais fácil administrar os dividendos e garantir uma ocupação segura, duradoura e extremamente rentável.

Por volta de meados da década de 1910, os gângsteres começaram a atuar nos Estados Unidos, sendo a maioria das quadrilhas formada por imigrantes.

No início, os gângsteres cobravam apenas pela proteção aos estabelecimentos comerciais e casas de jogo e apostas que eles mesmos atacavam. Com o advento da Lei Seca (1920-1933), porém, passaram a contrabandear álcool e armas, obrigando restaurantes, bordéis e clubes noturnos a comprar suas bebidas. E após a 2ª Guerra Mundial, ampliaram seus negócios ao gerenciar cassinos em várias regiões dos Estados Unidos.

Sob o pseudônimo de Armitage Trail, o escritor Maurice Coons foi autor de romances pulps, nos quais expunha a realidade violenta de Chicago e Nova York. Para alcançar um nível de veracidade satisfatório, o autor costumava andar com um amigo pelas ruas escuras do submundo de Chicago, familiarizando-se com o ambiente e observando o comportamento dos membros das gangues. Sua obra mais famosa é Scarface, na qual construiu seu personagem principal com base em Al Capone, mesmo sem tê-lo conhecido pessoalmente.

Howard Hawks adaptou Scarface para o cinema em 1932. Os censores o forçaram a inserir o subtítulo A vergonha de uma Nação, como forma de alertar a sociedade para o crescente poder dos gângsteres e a indiferença dos governantes às suas ações.

Entretanto, Scarface acabou dando início a uma série de violentos filmes noir, conferindo glamour às quadrilhas organizadas.

A película de Hawks é clássica e a interpretação de Paul Muni, excelente; mas é na transposição para os quadrinhos que Tony Camonte ganha empatia, haja vista ter sido apresentado como um homem que, apesar de frio, valoriza a família sobre todas as coisas.

Isso porque o francês Christian de Metter prendeu-se mais ao livro, enquanto Hawks e o roteirista Ben Hecht tomaram Cesar Bórgia como referência para Tony (e ainda empregaram pequenos enxertos cômicos em meio à explosão das metralhadoras), para narrar a ascensão de Tony Camonte, desde quando ainda usava o sobrenome Guarino – incluindo sua participação na Primeira Guerra Mundial, quando exerce sua liderança, aprende a utilizar armas e ganha a cicatriz no rosto que irá lhe conferir o apelido de Scarface – até se tornar o braço direito de Johnny Lovo e, depois, virar um dos mais temidos gângsteres da América, comprando briga com os demais líderes pelo controle de todos os bairros de Chicago.

A trama de Christian de Metter inicia-se nos últimos momentos de vida de Tony, que em flashback relembra seus dias de glória, culminando na fatídica emboscada feita pela polícia.

Caracterizando perfeitamente cenários, vestuários e gestos da época em traços realistas e aquarela com paleta de cores impecáveis (dosando com mestria a luminosidade das cenas), de Metter faz o leitor imergir por completo na década de 1920.

O senão fica por conta dos recorrentes balões em formato retangular e a não precisão de datas, marcadas apenas com base em eventos históricos, o que acaba confundindo os leitores menos atentos.

Classificação

4,5

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