SCHEM HA-MEPHORASH – UMA NOITE EM STARONOVA

Por Ronaldo Barata
Data: 1 dezembro, 2007


Título: SCHEM HA-MEPHORASH – UMA NOITE EM STARONOVA (Independente)

Autores: Marcela Godoy (roteiro) e Sam Hart (arte).

Preço: R$ 5,00

Número de páginas: 24

Data de lançamento: Fevereiro de 2007

Sinopse: Um jovem garoto decide pôr à prova a veracidade de uma antiga lenda: o Golem de Staronova.

Para isso, ele se baseia na história de seu bisavô, um soldado nazista e único sobrevivente de um destacamento alemão que teria encontrado o golem.

Com a ajuda de um amigo, ele transmite sua experiência pela internet.

Positivo/Negativo: Para quem não sabe, um golem é um ser mitológico, de origem judaica, feito de barro e animado por magia cabalística. As diversas lendas e histórias diferem um pouco na maneira de trazê-lo à vida.

Em algumas, uma vez moldado o ser (que normalmente tinha a forma de uma pessoa) bastava escrever a palavra Emet (“verdade” em hebraico) em sua testa. Em outras, era necessário adicionar um pequeno pedaço de pergaminho com o Tetragrama (quatro símbolos da cabala) em sua boca e recitar de maneira correta um conjunto de palavras.

É exatamente neste segundo grupo de lendas que se baseia a HQ.

A história de Marcela Godoy se passa em Praga, capital da República Checa, mais precisamente em Staronova, a mais antiga sinagoga da Europa. Apesar de ser contada nos dias atuais, a narrativa é entrecortada por flashbacks que nos mostram uma história paralela, sobre o bisavô de Johan, o protagonista, mas tudo de maneira bem natural, sem cortes abruptos, o que permite ao leitor compreender facilmente o que acontece nas duas linhas de tempo.

Durante a narrativa, Marcela dá um show de história judaica na voz de Johan. De maneira simples e direta, ela resume os principais eventos históricos que levaram os judeus até Praga, até a construção da sinagoga de Staronova e termina nas raízes do anti-semitismo.

A arte de Sam Hart combina bem com o clima sombrio e pesado, trabalhando com sombras bem carregadas (em muitas cenas só se vê silhuetas). Os cenários são pouco detalhados e dão apenas a noção geral de uma igreja ou templo (local onde se desenrola toda a trama).

As cenas – muito fechadas nos personagens – passam uma sensação de aperto, quase claustrofóbica. As áreas externas aos quadrinhos, sempre pintadas em preto, ajudam a reforçar isso.

De maneira geral, é um ótimo material de quadrinhos nacionais e com bom acabamento gráfico – o que é difícil de se encontrar em HQs independentes.

Classificação:

4,0

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