SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO – VOLUME 2

Por Zé Oliboni
Data: 1 dezembro, 2010

SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO - VOLUME 2

Editora: Quadrinhos na Cia. – Edição especial

Autor: Bryan Lee O’Malley (roteiro e arte) – Originalmente em Scott Pilgrim & The Infinite Sadness e Scott Pilgrim Gets It Together).

Preço: R$ 35,00

Número de páginas: 408

Data de lançamento: Outubro de 2010

 

Sinopse

A vida de Scott Pilgrim parece estar se acertando. De saída, ele já mandou para a lona dois dos ex-namorados do mal de Ramona Flowers (faltam cinco).

Além disso, o namoro com a misteriosa garota norte-americana parece estar engrenando e até mesmo sua banda, a Sex Bob-Omb, tem acertado um ou dois acordes.

Mas, num país tão tumultuado quanto o Canadá, as coisas nunca são fáceis, e o período de relativa tranquilidade é interrompido pela chegada da turnê do Clash at the Demon’s Head, a banda de rock mais incrivelmente poderosa de que se tem notícia.

Pra piorar, o grupo é liderado por Envy Adams, ex-namorada de Scott, que o colocou numa espécie de coma emocional ao largá-lo, um ano e meio antes.

E o embate com o passado traz consigo um conflito: o atual namorado de Envy Adams é ninguém menos que Todd Ingram, o vegan com poderes místicos que Scott precisa derrotar no seu caminho para o coração de Ramona.

Dotado de poderes incríveis, Todd será o maior desafio de Pilgrim. Ou pelo menos é o que se imagina.

Afinal, Scott irá descobrir outra faceta de sua enigmática namorada, será perseguido por ninjas e samurais e terá de lidar com os grandes dilemas da vida adulta: dividir ou não um apartamento com seu melhor amigo gay e, principalmente, arrumar um emprego ou continuar jogando videogame.

Positivo/Negativo

Bem antes da Quadrinhos na Cia. anunciar Scott Pilgrim, vários fãs já comentavam o título pela internet, pois trata-se de uma HQ recheada de referências a mangás, videogames e cultura pop. E ainda mostra a vida um carinha que precisa derrotar – na porrada mesmo – a liga dos ex-namorados do mal de uma garota para poder ficar com ela.

Obviamente, toda essa antecipação de alguns fãs não significa que a HQ é excelente. No caso de Scott Pilgrim, os comentários entusiasmados mostravam que o título atingia alvos específicos.

Como Marcelo Santos Costa analisou, na resenha primeiro volume, a HQ é um “retrato da ‘Geração Y'”; e é justamente esse grupo que mais se identifica com os personagens.

Trata-se de uma geração que vive uma adolescência bem prolongada e sente muito o conflito entre o amadurecimento e o apego às referências da infância. Pessoas que têm ao seu dispor uma grande oferta de itens tradicionalmente “para criança” – quadrinhos, desenhos, videogames etc. – já direcionados para “adultos”.

E Scott Pilgrim é exatamente um desses itens. Tem cara de desenho animado – lembrando as produções do Cartoon Network no final dos anos 90 e começo dos 2000 -, um ritmo de videogame (o personagem precisa enfrentar sete vilões, ganha vidas extras, sobe de nível e evoluí) e uma história aparentemente relevante sobre relacionamentos e dilemas do amadurecimento.

Com essas características, se torna algo como “a melhor leitura de todos os tempos” para o seu público-alvo e algo chato e bobinho para os demais. E não há nada de errado nisso.

Afinal, não se pode exigir que um produto seja direcionado para todos os públicos; e o fato de ser mais focado para um determinado grupo não diminui a qualidade da HQ.

E não há como negar, por exemplo, os méritos da arte. O desenho é bem simplificado. Os personagens são montados a partir de uma “forminha” bidimensional e os cenários marcados com traços simples e um uso inteligente de massas escuras.

E vale dizer que sua simplicidade é bem funcional. No caso dos cenários, por exemplo, os canadenses os reconhecem facilmente: há até um site com fotos dos locais retratados na história.

Obviamente, o grande destaque de Bryan Lee O’Malley é a narrativa visual e a utilização de elementos gráficos. As páginas são montadas de forma fluida e as onomatopeias e referências visuais extraídas dos videogames se incorporam bem ao todo.

A história cai no já citado problema de identificação com o leitor, mas, independentemente do gosto, há muitos vazios na trama. Quem assistiu ao filme, notou que algumas soluções mais rápidas e o corte de certos subplots conferiram mais leveza e agilidade, quebrando um pouco do ritmo muitas vezes vazio e monótono da vida de Pilgrim.

E, assim como as sacadas visuais requintam a arte, algumas piadas metalinguísticas sobre o desenvolvimento da trama dão charme ao texto.

A edição nacional segue a linha dos títulos da Quadrinhos na Cia., sem nenhuma introdução e nem mesmo uma sinopse da primeira edição – mesmo que a editora pressuponha que todos leram o volume inicial, sempre vale reforçar os fatos mais relevantes, devido ao hiato entre os dois lançamentos.

Mas os extras publicados na edição original foram mantidos. Outra questão é que a opção por encadernar duas edições estrangeiras em uma, apesar da vantagem de manter um bom preço, dificulta a visualização de algumas páginas duplas, em virtude da encadernação.

Enfim, Scott Pilgrim é inegavelmente bom, ao menos para o público a que se destina.

Classificação:

4,0

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