SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO – VOLUME 3

Por Zé Oliboni
Data: 1 dezembro, 2011

SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO - VOLUME 3

Editora: Quadrinhos na Cia. – Edição especial

Autor: Bryan Lee O’Malley (roteiro e arte) – Originalmente em Scott Pilgrim vs the universe e Scott Pilgrim’s finest hour).

Preço: R$ 35,00

Número de páginas: 432

Data de lançamento: Maio de 2011

 

Sinopse

Mesmo que não aparente, Scott Pilgrim deu passos importantes em direção à vida adulta. Ele já tem um emprego (não muito fixo), mora com a namorada, Ramona Flowers, sua bandinha de garagem percebe que não tem futuro e ele consegue até assumir a responsabilidade de criar um gato.

Mas, com a chegada de outros ex-namorados do mal de Ramona, Scott começa a perceber que algo de estranho pode estar acontecendo com a namorada.

Positivo/Negativo

Antes de tudo, vale a pena ler as resenhas dos volumes 1 e 2 de Scott Pilgrim, pois o que foi dito nelas sobre o público-alvo da HQ se aplica também a este terceiro volume.

A grande questão é justamente o fato de a história ser focada num bem específico. Scott Pilgrim é feito para quem se identifica com o protagonista. Esses leitores acharão a HQ o máximo e verão nela grandes metáforas para suas próprias vidas, seus relacionamentos etc.

Contudo, para muitos, o cotidiano vazio de Scott, a procrastinação de tudo na sua vida – principalmente do fim de sua adolescência – e a relação dele com os amigos e as namoradas são a verdadeira ficção desta HQ.

Vale notar que quem geralmente critica a história, não reclama dos elementos mais bizarros, da estrutura narrativa que transforma o namoro de Scott em uma trama de videogame (para ficar com a garota, ele precisa, literalmente, lutar contra uma liga de “ex-namorados do mal”, um mais poderoso que o outro) e nem estranha a bolsa sem fundo de Ramona ou as portas dimensionais que aparecem do nada.

Toda essa ficção é aceitável para as HQs – muitas vezes, até esperada.

O que é difícil de acreditar – para quem não pertence ao microcosmo apelidado de “Geração Y” – é que realmente existam pessoas como Scott e seus amigos.

Além disso, as diversas páginas em que Pilgrim aparece congelado no tempo a cada evento “traumático” irritam quem não consegue entrar no clima.

A sensação de que nada muda na vida de Scott e a forma leviana e hedonista com que ele trata tudo é difícil de ser aceita.

Deixando isso de lado e examinando a trama sem grandes paixões, nota-se diversos pontos muito interessantes.

Scott Pilgrim é uma leitura fácil, rápida, com uma narrativa ágil.

A influência dos games e dos mangás é clara no visual, na trama e até na escolha de certas frases ou atitudes. As páginas finais da HQ, inclusive, lembram dezenas de mangás e animês.

Este, definitivamente, não é o volume com a melhor utilização de elementos gráficos na narrativa – as grandes sacadas visuais saíram nos anteriores -, mas certamente é o que tem o desenho mais bem trabalhado.

Dificilmente Scott Pilgrim se tornará um clássico dos quadrinhos. É um material divertido, mas não mais que isso. A tendência é que acabe vítima da efemeridade com que o seu público-alvo trata tudo que gosta.

A edição da Quadrinhos na Cia. é um tanto espartana. Não tem extras, texto de apresentação e muito menos notas sobre as referências da história – o que poderia ajudar quem não é da tal “Geração Y”.

Outro problema foi o cronograma de publicação. O filme Scott Pilgrim foi exibido no Brasil entre os volumes dois e três. Uma pena.

Aliás, quem o assistiu e acha que já sabe o final deste terceiro livro, uma dica: felizmente, a HQ e o longa-metragem seguem trajetórias relativamente diferentes na última parte. O resultado é o mesmo, mas algumas escolhas oferecem algo novo para quem viu o filme.

Classificação:

4,0

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