SE A VIDA FOSSE COMO A INTERNET

Por Sidney Gusman
Data: 1 dezembro, 2012

SE A VIDA FOSSE COMO A INTERNET

Editora: Beleléu – Edição especial

Autor: Pablo Carranza (texto e arte).

Preço: R$ 29,90

Número de páginas: 80

Data de lançamento: Julho de 2012

 

Sinopse

Tiras e histórias longas em que o sergipano Pablo Carranza zoa (e critica) a presença cada vez maior da grande rede na vida das pessoas.

Positivo/Negativo

Não é raro encontrar pessoas que dizem “não viver sem internet”. Para alguns, as redes sociais são a “melhor coisa do mundo”. Outros se comunicam melhor via MSN ou What’s up do que ao vivo e em cores. O assunto ganha contornos tão sérios que já há até tratamento para dependência da grande rede.

Em Se a vida fosse como a Internet, no entanto, Pablo Carranza trata tudo isso com um remédio infalível: humor escrachado. Praticamente nada escapa às suas piadas. YouTube, Facebook, Twitter, Google, webcams, códigos de verificação para postagem em blogs, anti-vírus, memes, emoticons, Orkut e até a falta de vírgulas nas frases escritas na web, tudo é zoado de alguma maneira.

Evidentemente, o álbum é focado no público cada vez maior que domina essas terminologias e tecnologias, mas o autor foge de piadinhas óbvias, que circulam diariamente na (olha ela aí de novo!) Internet, e faz várias HQs realmente engraçadas.

Com uma nítida influência de nomes como Adão Iturrusgarai e Allan Sieber, Carranza cria situações bizarras, como Submundo dos arquivos excluídos, em que um cara que entra na lixeira de seu computador em busca de uma foto de sua ex-namorada nua e contracena com pastas e arquivos, ou Félix vai para Rehab, sobre um viciado “preso” numa clínica de reabilitação. Impagável!

Outro ponto alto do álbum é o projeto gráfico, feito pelo também quadrinhista Stêvz (de Aparecida Blues). Há diversas sacadas ótimas que, juntas, deixam o álbum “redondinho”. Coisas como ter, em Rehab, páginas impressas em um papel similar ao usado em faxes, quando o viciado surta ao ouvir a palavra “fax”. Ou ter uma página toda azul, com o conhecido “erro fatal” do Windows, antes de abrir uma nova seção do livro.

Há ainda um menu Iniciar do Windows na orelha da segunda capa; um espaço pro leitor fazer o login, ícones de fechar, minimizar ou ampliar a página e até a quarta capa emulando um comentário do Facebook.

Se a vida fosse como a Internet foi um dos trabalhos contemplados pelo ProAC – Programa de Ação Cultural, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, em 2011. E, até o fechamento desta resenha, era um dos dois únicos (de dez) já publicados – o outro foi Fade Out – Suicídio sem dor.

E justamente por ser um produto oriundo de um programa de cultura é que a revisão do álbum deveria ter sido mais cuidadosa. Há acentos mal colocados ou faltando, palavras grafadas em desacordo com a nova ortografia e erros bobos como “caçada” no lugar de “cassada” (página 74).

Não tira o brilho do livro, um dos melhores de humor publicados em 2012, mas merecia mais atenção por parte dos editores.

Afinal, pra ficar dentro do tema, Se a vida fosse como a Internet é um trabalho que merece ser muito curtido, compartilhado, favoritado…

 

Classificação:

4,0

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