Silas

Por Talita Grass
Data: 25 fevereiro, 2019

SilasEditora: Avec – Edição especial

Autor: Rapha Pinheiro (roteiro e arte).

Preço: R$ 49,90

Número de páginas: 96

Data de lançamento: dezembro de 2018

Sinopse

Silas é um dos habitantes de uma cidade subterrânea onde todos são feitos de fogo. Por isso, vivem nessa cidade pelo medo da chuva e, infelizmente, precisam do oxigênio produzido por uma fábrica para manterem suas chamas acesas.

O protagonista sofreu um acidente quando criança, e hoje utiliza uma roupa especial, concedida pelo Barão, para que possa respirar. Sua relação com o Barão é bastante duvidosa e, quando conhece uma senhora pianista, toda sua visão do mundo muda.

Positivo/Negativo

Devido ao acidente que sofreu quando criança, Silas ficou em situação terminal. Neste volume, usando o raje que ganhou do Barão, depois de alguns infortúnios, ele acaba descobrindo que pode ter vivido uma mentira.

A obra situa-se no mesmo universo de Salto, obra anterior de Rapha Pinheiro. Mesmo sendo histórias independentes, elas conversam entre si – o personagem Silas foi coadjuvante no outro álbum. Também, é perceptível o quanto o autor melhorou sua capacidade narrativa comparando seus dois trabalhos.

Logo nas primeiras páginas, é inevitável o desconforto ao ver Silas vestindo uma roupa que não lhe permite falar – é agoniante tentar imaginar o que se passa na cabeça do personagem. Essa incapacidade deixa o protagonista muito vulnerável diante da vida e das pessoas.

O legal é que Silas não é um personagem raso e, mesmo sem poder dialogar com os demais, ele possui suas próprias formas de comunicação. Seu chapéu, por exemplo, emula as curvaturas das ausentes sobrancelhas. Revelando, assim, sua expressão de maneira forte e imponente.

No entanto, faltou um trabalho de edição de texto que melhorasse a fluidez e o sentido de muitos diálogos. Além disso, há alguns erros de revisão – problema que estava muito presente em Salto.

As ilustrações são refinadas, com traços levemente irregulares e uma paleta de cores com belos tons terrosos e quentes.

A narrativa gráfica é muito rápida, leve e com boas escolhas de representação – passagens de tempo construídas de forma marcante e ângulos bem explorados.

A edição é em capa cartonada sem orelhas, colorida e em papel couché fosco. Também traz uma galeria de artistas convidados e extras contendo o processo de criação do quadrinho.

Apesar de alguns tropeços no roteiro, o grande mérito do autor é sua habilidade na construção de personagens. É fácil deixar-se cativar por um personagem tão misterioso que, sem o poder de fala, revela-se pelos seus atos. Em Silas, Rapha Pinheiro mostra evolução ao transformar o antigo coadjuvante em um protagonista surpreendente.

Classificação:

3,5

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