Springtime In Chernobyl

Por Marcelo Bouhid
Data: 22 maio, 2020

Springtime In ChernobylEditora: IDW Publishing – Edição especial

Autor: Emmanuel Lepage.

Preço: US$ 24,99

Número de páginas: 168

Data de lançamento: Agosto de 2019

Sinopse

Enquanto a Europa dormia, em 26 de abril de 1986, uma nuvem de radiação viajava pelo continente, originária do reator da usina nuclear de Chernobyl, que havia entrado em colapso horas antes.

Cinco milhões de pessoas foram contaminadas naquele que foi um dia trágico na História da humanidade. Anos depois, um grupo de ativistas visita a cidade para documentar a vida e os costumes dos sobreviventes.

Positivo/Negativo

Em 1986, um Emmanuel Lepage de 19 anos assiste pela TV ao incidente na usina de Chernobyl, na antiga União Soviética, o maior desastre nuclear da História. Vinte e dois anos depois, agora membro de um grupo de autores ativistas, o renomado quadrinhista francês visita a cidade-fantasma em busca de… algo que vai sendo revelado ao longo da obra.

Lepage, praticamente desconhecido no Brasil, é o artista de algumas pérolas da HQ mundial, como La Terre Sans Mal (Dupuis, 1999, com roteiro de Anne Sibran) e Oh Les Filles! (Futuropolis, 2008-2009, com roteiro de Sophie Michel). Springtime In Chernobyl é uma das poucas obras nas quais também assina os roteiros.

A história é de uma poeticidade ímpar. No início, Lepage precisa enfrentar suas próprias dúvidas para viajar, além da pressão da família. Depois, já em Chernobyl e obedecendo às orientações de segurança para evitar contaminação pela radiação, o autor lida com visões diferentes da vida e de como a frugalidade das relações não necessariamente afeta a profundidade dos sentimentos.

Aproximadamente mil pessoas ainda vivem na cidade, desde os sem opção de moradia até os que duvidam da letalidade da radiação residual. Visitar lugares acompanhado de um dosímetro, não poder sentar em um gramado para terminar um desenho, ficar preocupado com a procedência de uma simples refeição: a tensão psicológica vai aumentando ao longo da jornada, até começar a se esvair à medida que o lugar e os costumes vão transformando o grupo de visitantes.

É impossível não traçar paralelos com a pandemia de covid-19 que assolou o mundo em 2020, trazendo o medo do contato, a tristeza da interrupção de relações e o isolamento físico e mental.

A arte é de cuidado e complexidade raramente vistos na indústria. Mesmo quando comparado a outros trabalhos de Lepage, Springtime In Chernobyl traz sacadas e truques que só leitores mais experientes notarão.

A colorização mais sombria e negativa do início da obra vai aos poucos permitindo elementos mais coloridos e positivos. Ao final, há uma substituição dos pensamentos iniciais do autor, como “O que estou fazendo aqui?”, por reflexões do tipo “Meu desenho me diz que Chernobyl é bela. Será que é assim que a morte se apresenta a nós?”.

A edição da IDW é luxuosa, porém simples em conteúdo. Apesar da capa dura e da alta gramatura das páginas, nenhum extra ou contextualização para o leitor. E um ponto ruim: a fonte nos balões é pequena, consequência – parece – da adaptação do formato europeu para o americano.

Emmanuel Lepage é um criador proeminente, e suas obras precisam ser mais difundidas pelo mundo. E Springtime In Chernobyl é um trabalho admirável que necessita chegar ao maior número possível de leitores.

Classificação:

4,5

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Springtime In Chernobyl

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  • silas.

    Caramba, quando eu vi o nome do autor em uma imagem de tweet do Universo HQ, o meu primeiro pensamento foi “Vão publicar Lepage no Brasil?!”. Continuo à espera!