Sshhhh!

Por Vitor Mazon
Data: 21 dezembro, 2018

Sshhhh!Editora: Mino – Edição especial

Autor: Jason (roteiro e arte). Publicada originalmente em Sshhhh!

Preço: R$ 44,00

Número de páginas: 128

Data de lançamento: Maio de 2017

Sinopse

Coletânea que reúne dez contos curtos, sobre um pássaro de chapéu e paletó. Cada história traz dilemas, anseios e absurdos da vida humana.

Positivo/Negativo

Ganhador de dois prêmios Eisner e um Harvey, o norueguês Jason, cujo nome real é John Arne Sæterøy, está desde o início dos anos 2000 chamando a atenção do público e da mídia dos quadrinhos internacionais.

Essa fama, acumulada nos últimos anos só chegou recentemente ao Brasil, com a publicação de Sshhhh!, primeiro álbum completo do autor, pela Mino. Mas ele já havia feito sua estreia no país com um conto na segunda edição da revista Antílope.

O norueguês construiu seu nome graças a um estilo único, que mistura personagens antropomorfizados com histórias que lidam com dilemas existenciais, questões amorosas, cotidiano da vida moderna e situações que beiram o nonsense.

Sshhhh! mostra toda a habilidade do autor em explorar temas e questões complexas da vida humana, sem a necessidade de recorrer a uma única fala. E como não há textos, Jason deixa que toda a informação esteja na arte, seja no cenário ou na expressão corporal do personagens, que, por serem simples, permitem que o leitor projete suas próprias angústias e anseios, deixando possibilidades em aberto. E que podem mudar conforme o momento em que a pessoa lê.

A simplicidade da arte em preto e branco também se reflete no layout das páginas, a grande maioria delas dividida em seis painéis, criando um ritmo metódico ao conjunto da obra.

As poucas páginas que fogem à regra, na abertura e encerramento de cada conto, ajudam a contextualizar cada trama, que tem sempre o mesmo protagonista – um pássaro de chapéu e paletó –, mas não seguem qualquer ordem cronológica.

O pássaro não tem nome e não fala, mas o leitor não precisa de nada disso para compreender suas angustias. Ciúmes, exaustão com a rotina, relação entre pai e filho, reflexões sobre a passagem do tempo. Em cada conto, o protagonista lida com um dilema, alguns mais existenciais do que outros, porém sempre misturando o mundano com uma dose de absurdo.

O material segue o mesmo formato das publicações de carta cartonada do autor pela Fantagraphics, editora que o publica nos Estados Unidos – e a mesma qualidade. Por ser o primeiro álbum de Jason, ainda pouco conhecido no país, seria interessante ter algum texto de contextualização na obra, o que não acontece.

A Mino deixa que a apresentação de Jason ao público nacional seja feita, de forma rápida, pelos textos de Laerte, Gustavo Duarte, Rafael Coutinho e Gabriel Bá que estão presentes na contracapa, que são um bom chamariz para quem não sabe nada sobre o autor e pode se surpreender com o que vai encontrar nas páginas deste livro.

Classificação:

4,0

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