St. Bastard! – Orgulho de Cucamonga

Por Lielson Zeni
Data: 27 janeiro, 2012

St. Bastard! - Orgulho de CucamongaEditora: IndependenteHQ online

Autores: Leonardo Martinelli (roteiro) e Raphael Salimena (arte).

Preço: gratuita

Número de páginas: 54

Data de lançamento: Novembro de 2011

Sinopse

Dante é o escolhido para proteger Cucamonga. Em sua primeira aventura, precisará descer aos infernos para ressuscitar o Capitão e reerguer o orgulho do povo cucamonguense.

Positivo/Negativo

Em St. Bastard! – O orgulho de Cucamonga, os autores Leonardo Martinelli e Raphael Salimena apresentam o que é a primeira edição de uma série. O meio que acharam para isso foi inteligente: distribuição digital gratuita na internet e venda de um CD com vários formatos de leitura do mesmo material.

A primeira trama se resolve e mantém várias possibilidades abertas para seguir. Cumpre muito bem a função de apresentar uma série. Diversos personagens são marcantes e podem voltar a aparecer.

Vale lembrar que essa dupla é responsável pelo ótima HQ (também online) Bela Lugosi’s dead.

Em Cucamonga, domina o nonsense e a psicodelia. Isso é facilmente identificável na arte de Salimena e na trama proposta por Martinelli. Enquanto os desenhos vêm embalados em uma explosão de cores e formas fluídas, a história conta como uma cidade precisa de um cantor de rock, vindo diretamente do inferno para reanimá-la.

O grotesco e o humor são elementos basilares do quadrinho. As tiradas textuais são frequentes e bastante inteligentes. Em acréscimo, há muitas piadas visuais – como a página que mostra Dante voltando com o barco para a outra margem.

A página 14 mostra uma enorme cratera e a seguinte frase do personagem: “E eu achava que cu do mundo era só uma expressão”. Uma piada que mostra também a competente associação texto e imagem criada pelos artistas.

Intencionalmente ou não, há referência ao humor do grupo inglês Monty Python, a Sergio Aragonés e Mark Evanier, em Groo, e à Liga da Justiça Internacional, de Keith Giffen e J.M. DeMatteis. Com um acréscimo dos mais interessantes: o sarcasmo voltado para a própria obra.

O personagem que se chama Dante e desce aos infernos é motivo de piada pela falta de originalidade. Assim como a cena do uniforme entregue ao herói. Ou ainda sua grande batalha contra um cão infernal.

Não bastasse a divertidíssima história, com a arte detalhista, variada e impressionante de Salimena, há vários elementos paratextuais em St. Bastard!. Diversas propagandas e anúncios que dialogam diretamente com eventos da trama.

E a grande introdução que explica de que maneira Salimena e Martinelli adquiriram os direitos de publicação do personagem Dante, que antes de chamava “Cyber Dude”, mostra que o bom humor está por todos os lados.

E não custa lembrar a homenagem ao Led Zeppelin na capa. Afinal, St. Bastard! é do rock, bebê!

Classificação

4,0

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