STAR WARS # 1

Por André Craveiro
Data: 30 maio, 2009


Autores: Dark times – Welles Hartley e Mick Harrison (roteiro), Douglas Wheatley (arte) e Ronda Pattison (cores);

Knights of the Old Republic – John Jackson Miller (roteiro), Brian Ching (arte) e Michael Atieyh (cores);

Rebellion – Rob Williams (roteiro) e Brandon Badeaux (arte);

Legacy – John Ostrander (roteiro), Jan Duursema (arte), Dan Parsons (arte-final) e Brad Anderson (cores).

Preço: R$ 7,90

Número de páginas: 80

Data de lançamento: Fevereiro de 2009

Sinopse: Dark times – Mesmo após sua solidificação, o novo Império ainda enfrenta focos de resistência em todo o universo. Um deles se encontra em New Plympto, onde o general e mestre jedi Dass Jenir se une aos separatistas, que outrora combatiam o exército de clones imperiais, em uma guerra sem esperança de vitória.

Enquanto isso, em Coruscant, Darth Vader pondera sobre quais seriam os futuros planos de seu mestre para a galáxia…

Knights of the Old Republic – Séculos antes da Batalha de Yavin 4, a antiga República coroava todo o universo graças aos cavaleiros Jedi. No planeta de Taris, o jovem padawan Zayne espera a hora de sua nomeação como cavaleiro da ordem, mas ao chegar ao local da cerimônia a situação muda completamente, transformando-o em um fugitivo.

Rebellion – Janek Sunber é um dos generais imperiais que comandam várias ofensivas contra os rebeldes. Em mais um ataque contra os inimigos, ele forçosamente relembra seus tempos de juventude ao lado de dois conhecidos membros da Aliança, em Tatooine.

Ao tomar conhecimento do nome do piloto que desintegrou a Estrela da Morte, Sunber sabe que possui conhecimento acerca deste homem e resolve tomar uma atitude.

Legacy – Cerca de 120 anos após as mortes do Imperador e de Darth Vader, o universo tenta se recuperar de sua época sob o julgo da raça alienígena dos Yuuzhan Vong. O templo da nova ordem Jedi é atacado, o novo Imperador é traído e um novo Sith toma o comando. Quais serão seus obscuros planos?

Positivo/Negativo: Quase três anos após sua última publicação em terras nacionais, ainda pela Ediouro, Star Wars retorna às bancas brasileiras agora sob os cuidados da Online – que na área de quadrinhos já havia lançado algumas publicações de Transformers, Angus, Bad Boy e O Pequeno Ninja.

O mix desta primeira edição apresenta boas histórias. Todas as quatro séries estão em andamento nos Estados Unidos e conquistaram relativo sucesso entre os fãs, já que duas delas ambientam-se em torno da hexalogia dos filmes; e as duas remanescentes trabalham com personagens exclusivos do universo expandido.

Começando por Dark Times, situada poucos depois de Episódio III – A Vingança dos Sith, que mostra o Império iniciando seu jugo opressor sobre cada planeta que ainda ofereça alguma resistência.

Então, surgem dois novos protagonistas: o jedi Dass Jenir e o nosauriano Bomo Greenbark, que tentam a todo custo contra-atacar e sobreviver ao exército de clonetroopers que invade o planeta, enquanto os poucos sobreviventes tentam escapar usando o espaço-porto.

Apesar de a batalha ocupar a maioria das páginas, tem-se uma boa base e uma gama de novos coadjuvantes que podem criar um conto interessante, especialmente com a excelente arte de Douglas Wheatley, na melhor das quatro histórias do mix, prometendo ficar ainda melhor na próxima edição.

O único senão relativo a esta aventura é uma citação, em um diálogo entre o Imperador e Darth Vader, de que ela se passa logo após o especial Star Wars: Purge (ainda inédito no Brasil). Faltou uma nota explicativa por parte da editora.

Knights of the Old Republic e Legacy são as que podem confundir o leitor menos familiarizado com a intricada cronologia que se tornou a saga de George Lucas desde a criação de seu universo expandido.

A primeira se passa 3.964 anos antes da Batalha de Yavin 4 (Episódio IV – Uma Nova Esperança), mostrando a milenar ordem dos Jedis que guardavam a antiga República – trata-se de uma continuação do título Star Wars: Tales of The Jedis, que se passava quatro mil anos atrás e teve seus primeiros números publicados por aqui nas edições 8 a 12 do antigo título da saga pela Ediouro.

Legacy, por sua vez, acontece no futuro, mais de um século após o fim de Episódio VI – O Retorno de Jedi. A falta de interação entre o leitor e os personagens apresentados, aliada ao fato de muitas obras precedentes à referida série estarem inéditas em terras brasileiras, cria desinteresse e confusão e faz desta HQ a mais fraca da revista.

O leitor é apresentado a um descendente da linhagem Skywalker: Kol e seu filho Cade, mas sem fazer ideia de quem sejam eles ou quem foram seus antepassados. Pesquisando se chega à conclusão que se trata de Luke.

Pra completar, o conto se passa muitos anos após a tirania da raça dos Yuuzhan Vong, que governou o universo na era da Nova Ordem Jedi (25 a 40 anos após a Batalha de Yavin), como demonstrado na série de romances The New Jedi Order – inédita por aqui -, além dos novos Siths e do novo Imperador, até então incógnitos ao fã brasileiro.

Rebellion, assim como Dark Times, possui leitura mais simples e rápida. Com a narrativa entre os episódios IV e V, tem-se a chance de conhecer e explorar os vários ângulos do combate sob diferentes pontos de vista. Neste caso, do general Janek Sunber, que passa a questionar se escolheu o lado correto segundo sua consciência, agravando-se quanto ao fato de tomar conhecimento que seu antigo amigo Luke Skywalker será seu inimigo na batalha e que fora responsável pela renovação de esperança da Aliança ao destruir a estação bélica do Império. O final deixa um excelente gancho que desperta a curiosidade para a continuação.

Se algumas das histórias estão acima da média e outras apresentam ao menos
boas perspectivas, o mesmo não se pode dizer do cuidado dedicado a elas
nesta edição de estreia.
São vários erros, muitos deles incômodos. A começar pela falta grave de nenhuma HQ apresentar o devido crédito dos autores. O leitor que pesquise nos sites estrangeiros e tente descobrir qual foi a equipe criativa de determinada história.

Na tocante a Knights of the Old Republic e Rebellion, a editora poderia publicar suas edições # 0, que servem como prelúdio para ambas as séries. Além de curtas – cerca de dez páginas -, isso deixaria o leitor mais bem situado nas tramas.

Legacy, por sua vez, tem originalmente uma edição # 0 e uma # ½ mais encorpadas que as tradicionais 24 páginas. Resta saber se serão publicadas em algum especial paralelo.

Ainda sobre a questão de ambientação, alguns textos introdutórios contando
um pouco da história e quem são seus principais personagens, seriam bem-vindos.
Muitos acontecimentos por vir têm forte ligação com o universo expandido,
e várias aventuras deste universo permanecem inéditas no Brasil, o que
pode causar estranheza ao fã e leitor – como fora mencionado anteriormente,
no tocante à série Legacy.
Na segunda capa, para tentar amenizar essa situação, foi publicada uma rápida introdução da saga e uma linha do tempo demonstrando onde cada conto se encaixaria. Mas ainda é pouco.

A editora podia reproduzir as quatro capas originais no miolo, em vez de estampar duas delas na primeira e quarta capa e reproduzir as demais em tamanho menor, logo abaixo.

E há a falta de revisão. Erros absurdos como um “Assim como Luke Skywalker deteu…” (p. 63) provam a falta de cuidado editorial nesta revista. No tocante às letras dos balões e recordatórios, em alguns pontos elas são garrafais e incomodam a leitura. E, pra completar o “inventário” de pontos negativos, as páginas 71 e 72 da história Legacy estão repetidas.

Se é que também pode se considerar um erro, esta publicação chegou ao mercado de “paraquedas”. Não houve divulgação por parte da editora nem em seu site oficial quando do lançamento, e somente quando estava prestes a chegar às bancas que sites especializados noticiaram a novidade. Uma falta grave para quem aspira obter sucesso e boas vendas com seus produtos.

E ainda resta a dúvida do porquê não terem traduzido os títulos das histórias para o português, preferindo mantê-los no original.

Star Wars possui uma passagem complicada no Brasil. Já saiu pelas editoras Bloch, Abril, Pandora Books, JBC e Ediouro; e em todas elas o “fôlego” foi curto. Assim, muitas excelentes HQs que saíram lá fora não chegaram ao nosso mercado.

Agora é torcer para que a Online tenha uma vida editorial mais duradoura e condizente com a importância da saga. Afinal, há uma grande quantidade de boas HQs (sem contar as edições especiais e minisséries à disposição) que merecem um melhor tratamento em edições futuras se desejam lograr algum êxito entre os leitores, principalmente levando-se em conta o alto preço cobrado por uma publicação mal editada.

 

Classificação:

4,0

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