SUPER-GAY

Por Milena Azevedo
Data: 1 dezembro, 2012

SUPER-GAY

Editora: Bico de Pena / Grafipar – Edição especial

Autores: Por quem os silicones dobram / Os silicones dobraram e não se sabe por quem – Watson Portela (roteiro e arte);

O Colecionador – Watson Portela (roteiro) e Franco de Rosa (arte).

Preço: Cr$ 135,00 (preço da época)

Número de páginas: 64

Data de lançamento: 1982

 

Sinopse

Duas aventuras cômicas com os heróis Super-Gay e Power Gay.

Positivo/Negativo

Parodiar os super-heróis passou a ser bastante comum após Adam West e Burt Ward vestirem os uniformes de Batman e Robin, na cultuada série de TV dos anos 1960.

No Brasil, os Trapalhões fizeram inesquecíveis sketches com Super-Ômi, Nega Maravilha, Batimão e Robinho, personagens que migraram para as revistas em quadrinhos do quarteto cômico, editadas pela Bloch nos anos 1980.

Nesse mesmo período, quem também ganhou popularidade foi o Capitão Gay (e seu fiel ajudante Carlos Suely), interpretado por Jô Soares, no programa Viva o Gordo, na TV Globo.

Aproveitando o sucesso do Capitão Gay, Watson Portela criou o Super-Gay e seus amigos do “clubinho”, como o Capitão Fafá (este, sim, um personagem muito parecido com o Capitão Gay), Flashomo, Aquagay, Arqueiro Rosa-Choque, Batgay, Húlia, Boneca Prateada, Thorvelinho, Lanterna Cor-de-Rosa, Capitão Lésbi e Power Gay, os guardiões de Taióba City.

A primeira e única edição de Super-Gay foi publicada em 1982, trazendo duas histórias completas.

Em Por quem os silicones dobram/Os silicones dobraram e não se sabe por quem, o Dr. Camomila contrata Sapatão Maravilha (que tem o poder de mudar o sexo das pessoas) e as Super Sapatões para destruir as fábricas de silicone de Taióba City. Justamente quando os heróis acabam de permitir que os membros do “clubinho” possam botar as ditas próteses.

Após a destruição da primeira fábrica, Super-Gay, Capitão Lésbi e Capitão Fafá bolam um plano para impedir o sucesso da missão de Sapatão Maravilha.

Na segunda aventura, O Colecionador, desenhada por Franco de Rosa, Power Gay precisa desvendar o mistério de um ladrão de calcinhas usadas.

Apesar de as tramas serem bobinhas, os diálogos são engraçados de tão afetados, e as referências a outros personagens de quadrinhos, como Brucutu, Sonja e Visão, e a personagens teatrais, como Cyrano de Bergerac, além de uma homenagem a Moebius, garantem a alegria dos colecionadores mais nerds.

O traço limpo e preciso de Watson Portela é um atrativo à parte. O curioso é ele sempre dar um jeito para que as “tangas” das heroínas e vilãs lésbicas voem e mostrem discretamente o que há por debaixo delas.

A revista não teve continuidade porque Jô Soares descobriu a brincadeira e entrou na justiça para proibir a Grafipar de publicá-la.

E, quem diria, três décadas depois o Capitão Gay volta à mídia, agora com a possível produção de um longa dirigido por Otávio Muller e estrelado por Leandro Hassum.

A revista Super-Gay é bastante difícil de achar. Portanto, quem encontrar algum exemplar nos sebos pode comprar sem medo de dar risadas, mesmo em tempos “politicamente corretos”.

 

Classificação:

4,0

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