Superaventuras Marvel # 1

Por Ricardo Malta Barbeira
Data: 21 maio, 2007

Superaventuras Marvel # 1Editora: Editora Abril – Revista mensal

AutoresDemolidor (Daredevil # 160/161) – Roger McKenzie (roteiro), Frank Miller (desenhos) e Klaus Janson (arte-final);

Conan (Conan, The Barbarian # 12) – Roy Thomas (roteiro) e Barry Windsor-Smith (arte);

Luke Cage (Hero For Hire # 1) – Archie Goodwin (roteiro), George Tuska (desenhos) e Billy Graham (arte-final).

Preço: Cr$ 130,00 (preço da época)

Número de páginas: 80

Data de lançamento: julho de 1982

Sinopse

O Mercenário escapou da prisão, e para vingar-se do Demolidor, seqüestra a ex-namorada do herói, a Viúva Negra.

Vagando pelo deserto, Conan acaba ficando à mercê de uma caprichosa rainha.

Luke Cage está preso, e disposto a tudo para fugir de um verdadeiro inferno.

Positivo/Negativo

Em julho de 1982, a Editora Abril, que tinha pouquíssimos títulos mensais de super-heróis em bancas, lançou Superaventuras Marvel, que graças ao seu mix variado, em pouco tempo transformou-se numa das revistas prediletas dos leitores brasileiros.

Para a estréia, foram escaladas duas aventuras do herói que se tornaria o mais assíduo em suas páginas: Demolidor, o Homem Sem Medo.

A trama do defensor da Cozinha do Inferno já envereda por caminhos mais escuros, adotando um forte tom urbano focado na violência das grandes metrópoles.

Isto se intensificaria ainda mais nos meses seguintes, quando em um primeiro momento Frank Miller começa a dividir o argumento com McKenzie, para posteriormente assumir texto e arte, deixando uma marca inegável nas histórias em quadrinhos.

Na trama em duas partes deste número, o Mercenário – que acabara de fugir da prisão – seqüestra Natasha Romanoff, a Viúva Negra, para poder preparar uma armadilha mortal para o Demolidor.

Alguns elementos que marcariam a passagem de Miller estão presentes, como a utilização de personagens como Eric Slaughter e Tucão, além de locais que se tornariam corriqueiros, como o Bar da Josie e as próprias ruas cada vez mais sombrias de Nova York.

O destaque é a investigação do jornalista Ben Urich, que está a um passo de provar que Matt Murdock e o Demolidor são a mesma pessoa.

Quanto aos desenhos, ainda não era o auge da narrativa de Miller, mas a página dupla com a seqüência de luta na montanha-russa prova ser um senhor aperitivo do potencial do artista.

A segunda história da edição é também a mais divertida, tirada da clássica fase de Conan sob a batuta de Roy Thomas e Barry Windsor-Smith. Roteiro e desenhos estão ótimos, com direito a alguns diálogos sensacionais do cimério com a escrava Yaila.

O grande momento é uma fala de Conan enquanto enfrenta um ser conhecido como Habitante das Trevas: “Que o demônio carregue todas as mulheres! Elas atiçam, beijam, acariciam, prometem o paraíso numa bandeja… mas quando chega a hora da luta, só sabem gritar e chorar… largando tudo na mão dos homens!”.

Em tempos politicamente corretos, é ótimo poder ver o bárbaro desabafando em grande estilo.

Para fechar este primeiro número, o leitor é apresentado a Lucas Grant, também conhecido como Luke Cage. Tendo sido vítima de uma cilada armada por um antigo amigo, ele é preso, e sofre os abusos de carcereiros e do próprio diretor da prisão.

Ao trocar sua liberdade pela participação numa experiência científica, Cage adquire poderes extraordinários e uma vez de volta às ruas, resolve se tornar um herói de aluguel.

Vale mencionar a ótima caracterização realizada por George Tuska, tanto nas seqüências passadas na prisão quanto na cidade.

Quanto ao roteiro, a intenção de Archie Goodwin – e também da editora – era claramente dar às HQs um personagem negro com motivações bem definidas, e inserido no contexto social dos anos 1970.

Ainda que hoje pareça cheia de lugares-comuns e preconceituosa, a origem de Luke Cage é pertinente, e a prova de seu potencial pode ser atestada no que Brian Michael Bendis fez nos últimos anos com ele.

Primeiramente, o roteirista foi colocando-o ao poucos em séries recentes, como Demolidor eAlias, para depois explorar ainda mais sua persona em The Pulse e Novos Vingadores.

No final das contas, o que se pode dizer de Superaventuras Marvel, é que foi um título emblemático para a Abril, que cerca de um ano depois lançaria mais dois mensais, Homem-Aranha e O Incrível Hulk, até adquirir a exclusividade total do material da “Casa das Idéias” em terras tupiniquins.

Não são poucos os leitores da época que consideram este o título mais querido publicado no Brasil e, assim como esse resenhista, boa parte deles deve ter ótimas lembranças ao folhear algumas de suas 176 edições.

Classificação

4,0

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