Superman # 150

Por Marcus Vinicius de Medeiros
Data: 9 maio, 2014

Superman # 150Editora: DC Comics – Revista mensal

Autores: Dan Jurgens (roteiro), Steve Epting (desenhos), Joe Rubinstein (arte-final) e Glenn Whitmore (cores).

Preço: US$ 3,95

Número de páginas: 56

Data de lançamento: Novembro de 1999

Sinopse

Quando inúmeros mísseis atingem a Terra e se fincam ao solo, o Superman pode ser a única chance de sobrevivência do planeta. Mas não é uma tarefa fácil: ele tem pela frente um grupo de perigosos alienígenas sob o comando de Brainiac.

Positivo/Negativo

Esta edição marcou a despedida do escritor e desenhista Dan Jurgens da série mensal estrelada pelo kryptoniano, após uma década cuidando de seu universo. Quando iniciou seu envolvimento com o Homem de Aço, durante a saga Exílio, o autor já possuía experiência considerável no mundo dos quadrinhos, tendo criado o título do Gladiador Dourado, além do trabalho em Guerreiro e Sun Devils.

Mas foi em Superman que ele mais se destacou, levando energia e vigor renovados para o personagem reformulado no contexto de suas aventuras pós-Crise nas Infinitas Terras. Jurgens foi o responsável principal pela Morte do Superman e suas sequências, criou os Homens-Lineares e ainda assinou brilhantes histórias de interesse humano, tais como O Correio de Metrópolis e O nome é Beco do Suicídio.

No Brasil, o Super-Homem em formatinho estava em alta, e a molecada devia ler e reler cada edição comprada com o dinheiro do lanche. Contudo, o tempo passou e essa fase de grandes sagas acabou se desgastando, ainda mais com a tendência de eventos para chamar a atenção na mídia. Assim, foi com satisfação que o público recebeu a notícia das novas equipes criativas, capitaneadas por Jeph Loeb e Joe Kelly, em 1999.

Para sua última história, Jurgens apostou na simplicidade, apresentando um enredo mais convencional, do tipo herói versus vilão. Não há o senso de conclusão que poderia se esperar do fim de uma era, mas o argumento direto não deixa a peteca cair e consegue fechar tudo com o mínimo de dignidade.

No caso, o inimigo implacável da vez é o robótico Brainiac, depois de mais uma reformulação e seguindo com seus planos de conquista. A ação não para, e vale citar a presença de mais uma figura a confrontar o Homem de Aço: Vartox, um alienígena que leitores mais antigos devem se recordar. Antes da revolução empreendida por John Byrne, na década de 1980, ele era presença certa nas aventuras do Superman, especialmente nas do roteirista Cary Bates. Apaixonado por Lana Lang, sempre deu muito trabalho ao defensor de Metrópolis.

A reinserção de Vartox na cronologia oficial do Universo DC foi uma das últimas e menos lembradas contribuições de Jurgens ao título.

Se essa fase do Superman primou por arcos que interligavam suas diversas revistas e focavam um elenco de coadjuvantes para dar vida à cidade de Metrópolis, o ciclo final foi diferente. Cada equipe criativa passou a contar suas próprias histórias, ainda que os personagens secundários não perdessem a importância. Aqui, são poucas páginas mostrando o diálogo de Pete Ross com Lois Lane, mas elas já fazem a diferença.

Na época, Pete e Lana Lang estavam casados, e deram ao primeiro filho o nome de Clark. É a chave para explorar a vida particular do herói, algo que Jurgens sempre fez muito bem.

No meio da ação frenética, vale muito mover o olhar para a intimidade. Na arte, Steve Epting faz um trabalho competente, ideal para as cenas de confrontos físicos e com um senso de design arrojado. Foi uma boa escolha para a revista, quando Jurgens deixou o lápis e passou a apenas escrever.

No mês seguinte, mudou tudo com a entrada de Jeph Loeb escrevendo um arco de três partes ilustrado por Mike McKone, e depois com a entrada do novo desenhista oficial da série, Ed McGuinness. E é sempre assim, no universo dos quadrinhos de super-heróis. Novas equipes de criadores vêm e vão, os bons deixando sua marca e celebrando um legado heroico com décadas de tradição.

Dan Jurgens sempre dividiu opiniões, e teve seus pontos baixos, como a divisão do Superman em dois seres diferentes nas cores azul e vermelho. Mas ele, sobretudo, manteve a chama acesa durante longos anos e cativou um público sedento de aventura.

Recentemente, o autor acabou retornando para seis edições no contexto dos Novos 52, trabalhando um Superman diferente. Fica evidente mais uma verdade do meio: despedidas também não costumam ser definitivas. Sorte dos leitores que gostam do seu trabalho.

Classificação

3,0

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