SUPERMAN # 19

Por Samir Naliato
Data: 1 dezembro, 2001

Superman #19Título: SUPERMAN # 19 (Editora Abril) – Revista mensal

Autores: Jeph Loeb, Joe Casey, Mark Schultz & e Joe Kelly (argumentos), Ed McGuinness, Humberto Ramos, Rob Liefeld, Mike Wieringo, Art Adams, Ian Churchill, Joe Madureira, Duncan Rouleau, Doug Mahnke & Kano (desenhos) e Cam Smith, Wayne Faucher, Norm Rapmund, Tim Townsend, Jaime Mendoza, Marlo Alquiza & Tom Nguyen (arte-final).

Preço: R$ 10,00

Data de lançamento: Fevereiro de 2002

Sinopse: É Natal, e o Super-Homem, ainda atormentado pela vitória de Lex Luthor nas eleições presidenciais, resolve visitar cada um dos integrantes da Liga da Justiça para entregar pequenas lembranças. Claro que Luthor é o principal tópico das conversas, com cada herói dando sua opinião. Mas, enquanto isso, um novo mundo bélico é finalmente construído. O perigo se aproxima.

Na segunda história vemos a volta do Professor Hamilton. Mas não é apenas ele que dá as caras. Liri Lee, dos Homens Lineares, aparece para mostrar a Clark Kent um futuro onde ele desiste de lutar, e deixa o caminho livre para o presidente Luthor. Digamos que não é um dos mais agradáveis para se viver.

A terceira aventura começa a mostrar os eventos que levarão à saga Retorno à Krypton. Um misterioso foguete cai na fazenda dos Kent. Assustada, Martha liga para Clark, que se dirige imediatamente para Pequenópolis. Lá, ele descobre que a nave veio de seu planeta natal, e leva um pequeno objeto verde luminoso (idêntico àquele de Superman, O Filme, que acabaria por criar a Fortaleza da Solidão, lembra?) para Hamilton investigar. Lá, algo que nunca poderia imaginar acontece. Um holograma de Jor-El revela a verdade por trás de Krypton.

Enquanto isso, o presidente Luthor anuncia seu secretariado. Entre eles estão Sam Lane (pai de Lois Lane, como secretário de defesa), Amanda Waller (aquela mesma do Esquadrão Suicida, como secretária para assuntos meta-humanos) e Catherine Grant (secretária de imprensa).

Mas o maior choque ainda estava por vir. Clark descobre existir uma possibilidade de visitar Krypton, através da Zona Fantasma.

O herói aceita o desafio, e Lois Lane resolve ir junto. Ele reencontra os pais biológicos, mas resolve não revelar quem é na verdade. Mesmo assim, os dois sentem uma ligação que os aproximam, e começam a conversar. Jor-El conta que Krypton está ameaçado de extinção, com sua trajetória se aproximando cada vez mais perto do sol vermelho. Assim, eles resolvem colocar em prática um plano para realinhar o planeta. E conseguem, mesmo isso esgotando todos os poderes do Homem de Aço. Agora, sem o sol amarelo, ele não tem como recarregar as energias.

Mas isso acaba chamando a atenção do conselho e do General Zod. Ao descobrir que Jor-El desobedeceu às leis impostas, começa uma operação para prender todos, e tudo piora ao detectarem uma forma de via alienígena (Lois Lane).

Agora, eles precisam correr contra o tempo para salvar suas vidas e voltar à Terra.

Positivo/Negativo: Quando a DC Comics anunciou que faria mudanças na versão de Krypton desenvolvida por John Byrne na década de 1980 e, conseqüentemente, na origem do Super-Homem, a primeira reação de muitos leitores (inclusive este que assina esse review) foi de surpresa. Afinal, isso não parecia necessário, principalmente se fosse para voltar à versão da Era de Prata. A repercussão aqui mesmo no Universo HQ foi grande, com vários leitores mandando e-mails.

Foi algo que fez lembrar a época em que a DC resolveu fazer a saga Crise nas Infinitas Terras, e recomeçar a cronologia de todos os seus personagens a partir do zero, chamando grande criadores para reformular seus personagens. Possivelmente, os leitores mais antigos se lembrarão das seções de cartas das revistas da Editora Abril durante aquele período. A grande maioria criticava ferozmente Byrne pelas mudanças que estava implementando, ao reconstruir toda uma nova vida para o Super-Homem e por tentar limitar seus poderes, que chegavam a ser exagerados.

“Quem esse tal de John Byrne pensa que é para fazer isso com o maior de todos os super-heróis?”, reclamava um dos leitores. Curiosamente, o mesmo aconteceu agora, só que, dessa vez, com críticas no sentido contrário.

Vale lembrar que, se aqui no Brasil a origem pós-crise é muito bem aceita, nos Estados Unidos existem vários leitores e movimentos que até hoje não se convenceram da reformulação. Consideram o Super-Homem anterior como o único e definitivo. Radical, não?

O planeta Krypton de Byrne era um mundo frio, envolvido em pesquisas genéticas e dominando totalmente a clonagem. Certa vez, o autor disse que fez um mundo que “gostaríamos de ver explodindo”. A versão anterior era mais viva e humana, e refletia também uma época mais simples nos quadrinhos de super-heróis.

Mas, voltando à história, a estranheza de ver, nos dias de hoje, aquele antigo Krypton de volta acabou diminuindo à medida que a história começou.

O que os autores tentaram fazer foi uma mescla de idéias das duas versões. Enquanto o planeta tem um visual que remete àquele da Era de Prata, conceitos atuais foram incluídos, como preconceito, censura, manipulação política e corrupção.

Krypton é governado por um conselho. Um dos mais influentes e manipuladores é o General Zod, que tem uma rixa pessoal com Jor-El. Pesquisas espaciais são limitadas e controladas por leis do conselho, que muitas vezes as proíbe.

Aliens são caçados e isolados. Os governantes de Krypton querem manter seus ideais e “pureza cultural” sem influência de fora. Este pode ser também um dos motivos das limitações em explorar o espaço. Apenas grupos rebeldes se arriscam a desobedecer às ordens. O pai do Super-Homem é ligado a uma dessas correntes, e continua com suas pesquisas. Tudo vai sendo apresentado no decorrer da história, onde são mostrados lugares e pessoas deste novo mundo.

Além disso, em vários pontos são colocadas referências e homenagens à Era de Prata e à reformulação do Homem de Aço promovida por John Byrne.

A aventura em si não chega a ser brilhante ou revolucionária, mas não é de toda ruim. É razoável. O principal problema não é a aventura, mas sim a idéia por trás dela. Mudar os conceitos de Krypton apenas 15 anos depois de criados (lembre-se, o personagem tem quase 65 anos de vida) parece um pouco prematuro. Muitas possibilidades ainda não exploradas foram deixadas para trás, principalmente em uma época onde a clonagem é mais falada do que nunca.

Por outro lado, vários novos elementos foram introduzidos, inclusive um novo vilão. Se isso dará certo ou não, e se essas novas opções serão bem aproveitadas, só esperando para ver.

O escritor Jeph Loeb disse recentemente que a história sobre o novo Krypton ainda não acabou, o que faz sentido, já que a história apresentada em Superman #19 deixa mais perguntas que respostas. Ainda este ano devem ser publicadas nos Estados Unidos novas histórias sobre o assunto.

Na edição lançada pela Editora Abril há um problema. Na página 49, um balão está em branco. A fala e dois balões foram juntados em um só, fazendo com o outro sobrasse.

Isso sem falar nos desenhos de Duncan Rouleau. Ele deve ter algum parente dentro da DC. Já que o assunto é arte, Rob Liefeld também marca presença na primeira história da revista. É a primeira vez que ele desenha o Homem de Aço. O conto de Natal é até interessante, mas a seleção de artistas poderia ser melhor.

A Mulher-Maravilha de Ian Churchill (New X-Men) parece uma “mulher da noite”, se é que você me entende. Bem diferente da bela princesa amazona que Phil Jimenez vem fazendo, e que poderá ser conferida pelos leitores na edição Mulher-Maravilha: Paraíso Perdido, este mês. Em compensação, é bom ver a arte de Art Adams.

Existe um texto na página 47 sobre a cidade engarrafada de Kandor e a Zona Fantasma, que ajuda muitos leitores a se situarem melhor.

Classificação:

4,0

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