Superman # 40 – Novos 52

Por Thiago Rique
Data: 15 março, 2016

Superman # 40Editora: Panini Comics – Revista mensal

Autores: Geoff Johns (roteiro), John Romita Jr. (desenhos), Klaus Johnson (arte-final) e Laura Martin, Ulises Arreola, Dan Brown, Will Quintana e Hi-Fi (cores) – Originalmente em Superman # 38 e # 39;

Greg Pak (roteiro), Aaron Kuder (desenhos) e Will Quintana (cores) – Originalmente em Action Comics # 40.

Preço: R$ 8,40

Número de páginas: 72

Data de lançamento: Janeiro de 2016

Sinopse

O arco Homens do Amanhã chega ao fim, com o sétimo capítulo, Amigos e Inimigos, mostrando o inevitável confronto entre Superman e Ulysses, que tenta sequestrar a humanidade.

O embate de ambos revelará ao Homem de Aço uma nova habilidade que ele desconhecia, e cuja descoberta terá desdobramentos sérios tanto na vida do herói, quanto de sua identidade secreta, o repórter Clark Kent.

Já em Espelho Rachado, o Superman descobre acidentalmente um planeta cúbico ao voltar para a Terra após seu confronto com o monstro Apocalypse. Um local povoado por criaturas… bizarras.

Positivo/Negativo

Superman # 40 já nasce histórica e colecionável por apresentar não um, mas quatro fatos relevantes do Homem de Aço, tanto dentro da cronologia atual dos Novos 52, iniciada em 2011 nos Estados Unidos, quanto do seu universo mítico como um todo. Isso porque apresenta um novo superpoder, o super-clarão (super flare, em inglês), um uniforme diferente, a revelação da identidade secreta para um coadjuvante famoso e a volta de um vilão clássico.

Publicando as edições originais Superman # 38 e # 39, a revista traz não só a descoberta da nova habilidade, no fechamento de Homens do Amanhã, como o epílogo dela, 24 Horas, apresentando Clark Kent realmente tentando desfrutar um dia como um humano normal desprovido de seus poderes. É uma trama mais intimista em relação à primeira, focada basicamente no combate entre os dois superseres.

O arco foi bastante competente em termos de narrativa e arte, embora nada estelar ao confrontar o Homem de Aço com Ulysses, cuja história é parecida com a do kryptoniano: enviado por seus pais cientistas para outra dimensão, ele se tornou o maior herói daquela realidade, voltando à Terra numa missão dúbia de salvar a humanidade.

No Brasil, a trama pode desfrutar de certa unicidade, mas nos Estados Unidos não foi o caso. Lá, esta aventura foi publicada ao mesmo tempo que Superman Unchained, título que durou nove números, com roteiro de Scott Snyder e arte de Jim Lee, no qual o Superman tinha um confronto físico e ideológico com outro personagem apresentado como um reflexo invertido de si, o Aparição.

Dois títulos publicados ao mesmo tempo e contando, de forma separada, histórias com a mesma premissa não passou despercebido pelos fãs na época.

A arte de John Romita Jr. continua sólida e evoluindo: é nítido o seu progresso ao representar o Superman desde o primeiro número, publicado no Brasil em Superman # 35.

Alguns desenhistas levam um tempo para encontrar a melhor forma de retratar um personagem. Parece ter sido o caso de Romita com o Homem de Aço, mas é nítida a melhora a cada número.

Tanto que a DC entregou a ele a tarefa de fazer os ajustes visuais no uniforme do Superman vistos nesta edição. A armadura kryptoniana dividiu fãs e crítica: uns amavam, outros odiavam. Fato é que seu projetista, Jim Lee, apesar de ser um grande ilustrador, não é um bom character designer.

Assim, o visual do Superman da Terra-0 parecia inacabado, rebuscado e de difícil reprodução em outras mídias. Basta ver como foi simplificado na animação O Trono de Atlantis, já lançada no Brasil pela Warner.

Era um tipo de conceito que, passado a artistas mais experientes, poderia ser mais bem desenvolvido. Foi o que Romita fez: partiu dos postulados de Lee, como a gola alta, mangas compridas até os punhos e a ausência da polêmica sunga vermelha, e realizou uma limpeza de linhas desnecessárias, resgatando inclusive as botas com canos em V.

O produto final, indiscutivelmente, parece melhor acabado e prático, um meio-termo entre o clássico e o novo.

Falando em reflexos invertidos, o quarto e último grande acontecimento da revista é a volta de Bizarro. Não o clone defeituoso de Vilania Eterna, mas a versão clássica, vinda de um mundo cúbico e com poderes invertidos aos do Superman.

A história se passa após o arco Condenado, publicado pela Panini em dois volumes. Greg Pak tem feito um trabalho mediano até o momento, enquanto a arte continua com o competente Aaron Kuder. É a trama mais fraca da edição.

Vale questionar a decisão da Panini na escolha da capa. Apesar da linda arte de Jae Lee para o encontro do Superman com Bizarro, não há nada que indique a descoberta do novo poder e a revelação da identidade secreta para outra pessoa, eventos amplamente divulgados pela mídia especializada dentro e fora dos Estados Unidos. Aqui, não mereceram sequer uma chamada de texto.

Ainda assim, uma edição com boas histórias e acontecimentos marcantes, que repercutirão bastante na vida do herói pelos próximos meses e, quiçá, anos.

Classificação

3,0

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